28/May/2026
O governo brasileiro vem ampliando sua agenda de cooperação agrícola com países africanos, em movimento que combina segurança alimentar, transferência de tecnologia, desenvolvimento rural e expansão comercial. Desde 2023, o Ministério da Agricultura e Pecuária firmou ao menos 18 instrumentos bilaterais com países do continente, fortalecendo a presença brasileira em áreas estratégicas da agricultura tropical e da defesa agropecuária. A aproximação ocorre em um contexto de crescimento das relações comerciais entre o Brasil e a África. Em 2025, os países africanos importaram mais de US$ 12,1 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, avanço de 30% em relação a 2022. Carnes, cereais e açúcar seguem entre os principais itens exportados pelo Brasil ao continente. O avanço das parcerias integra a estratégia brasileira de cooperação Sul-Sul, baseada no compartilhamento de tecnologias e experiências entre países em desenvolvimento.
O modelo busca adaptar soluções utilizadas no agronegócio brasileiro às condições produtivas africanas, especialmente em regiões de clima tropical e savana. Entre os principais eixos da cooperação estão temas como correção de solos, manejo de pastagens, agricultura familiar, assistência técnica, crédito rural, sanidade agropecuária e sistemas produtivos de baixo carbono. A proposta é utilizar parte da experiência acumulada pelo Brasil no Cerrado e em regiões tropicais para apoiar o aumento da produtividade agrícola africana. Uma das iniciativas de maior destaque é o programa Mais Alimentos África, retomado em 2023 em Moçambique. Inspirado em políticas brasileiras de apoio à agricultura familiar, o programa reúne financiamento, mecanização, transferência tecnológica e assistência técnica para pequenos produtores rurais.
Outra frente relevante é o Projeto Cerrado Africano, voltado à adaptação de tecnologias brasileiras para áreas de savana do continente africano. O projeto contempla técnicas de recuperação de solos ácidos, manejo de pastagens tropicais e organização produtiva em regiões com características semelhantes às do Cerrado brasileiro. A agenda ganhou caráter permanente em 2026 com a inauguração do Escritório de Cooperação Técnica para a África, coordenado pela Embrapa e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com os governos do Brasil e da Etiópia. A estrutura busca ampliar a continuidade dos projetos e acelerar respostas técnicas às demandas locais. O fortalecimento da presença brasileira no continente também abre espaço para novos negócios ligados a genética vegetal e animal, agricultura digital, recuperação de áreas degradadas, bioinsumos e financiamento rural.
Além da cooperação técnica, o movimento amplia oportunidades comerciais para empresas brasileiras de máquinas, fertilizantes, sementes, defensivos e serviços agrícolas. Apesar do avanço das relações, desafios ligados à logística, infraestrutura, idiomas e adaptação tecnológica continuam sendo apontados como obstáculos para a ampliação da cooperação. A necessidade de adequar tecnologias às diferentes condições climáticas, institucionais e produtivas dos países africanos também permanece no centro das discussões. A expansão da agenda africana ocorre em um momento de crescente preocupação global com segurança alimentar, mudanças climáticas e aumento da demanda por alimentos. Nesse cenário, o Brasil busca ampliar sua influência internacional utilizando o agronegócio e a agricultura tropical como instrumentos de cooperação, inserção geopolítica e abertura de mercados. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.