28/May/2026
Segundo dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento de florestas maduras na Mata Atlântica registrou em 2025 o menor nível da série histórica iniciada há quatro décadas. A supressão de florestas maduras caiu 40% em relação a 2024, ficando pela primeira vez abaixo de 10 mil hectares anuais desde o início do monitoramento do bioma. Os dados também indicaram redução de 28% no desmatamento total da Mata Atlântica, conforme levantamento do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), desenvolvido pela SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan. Os resultados refletem o avanço de políticas de proteção ambiental implementadas ao longo dos últimos anos, incluindo a Lei da Mata Atlântica, que completa 20 anos em dezembro de 2026.
O desempenho reforça a perspectiva de que o bioma possa se tornar o primeiro do País a atingir desmatamento zero, desde que sejam mantidas as atuais políticas de preservação e fiscalização ambiental. Apesar da melhora dos indicadores nacionais, os dados mostram diferenças relevantes entre os Estados abrangidos pelo bioma, presente em 17 Unidades Federativas e responsável por abrigar cerca de 70% da população brasileira. Em 11 dos 17 Estados houve redução do desmatamento, com destaque para Bahia e Piauí. Ainda assim, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí concentraram 89% da área total desmatada da Mata Atlântica em 2025. O avanço dos indicadores ambientais reforça a avaliação de que políticas públicas e instrumentos de controle ambiental apresentam resultados quando aplicados de forma contínua e coordenada.
O cenário também amplia o debate sobre o marco regulatório ambiental brasileiro. A flexibilização de exigências ambientais prevista após a derrubada de vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental elevou preocupações sobre possíveis impactos na preservação da Mata Atlântica e na continuidade da trajetória de redução do desmatamento. A manutenção do equilíbrio entre preservação ambiental, segurança jurídica e modernização regulatória é apontada como fator estratégico para a competitividade econômica do Brasil, especialmente diante da relevância das práticas ambientais na percepção internacional sobre o País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.