02/Jun/2026
Os subsídios governamentais destinados a 15 setores industriais considerados estratégicos alcançaram US$ 108 bilhões em 2024, equivalentes a 1,3% da receita das empresas beneficiadas, segundo relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O percentual representa o segundo maior nível da série histórica, ficando abaixo apenas do registrado em 2009, quando a crise financeira global reduziu as receitas corporativas e elevou a relação entre subsídios e faturamento. O levantamento aponta que os programas de apoio industrial cresceram na maior parte das regiões analisadas.
No entanto, as empresas chinesas continuaram recebendo níveis de suporte significativamente superiores aos observados em outros mercados. Entre 2005 e 2024, as companhias da China receberam, em média, volumes de apoio governamental entre três e oito vezes maiores que os destinados às empresas localizadas nos países integrantes da OCDE, dependendo do setor e da região considerada. De acordo com a análise, aproximadamente 22% do ganho de participação no mercado global obtido por empresas que ampliaram sua presença internacional nas últimas duas décadas pode ser atribuído aos subsídios recebidos. No caso das empresas chinesas, essa proporção alcança 60%, evidenciando a relevância dos incentivos públicos na expansão da competitividade internacional dessas organizações.
Apesar dos efeitos sobre a participação de mercado, a OCDE destaca que o aumento dos subsídios não foi acompanhado por ganhos equivalentes de produtividade ou rentabilidade. Segundo a avaliação da entidade, os incentivos contribuíram para fortalecer a posição competitiva das empresas beneficiadas, mas apresentaram impacto limitado sobre indicadores de eficiência econômica e desempenho financeiro. O relatório reforça o debate global sobre o papel das políticas industriais e dos incentivos governamentais na competição internacional, especialmente em setores considerados estratégicos para o crescimento econômico, a segurança industrial e a transição tecnológica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.