15/Jun/2026
O Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou um novo indicador para mensuração da pobreza no Brasil, denominado Índice Multidimensional de Pobreza para Auditorias (IMP-A). A ferramenta amplia o escopo tradicional de avaliação baseado predominantemente na renda e busca incorporar diferentes dimensões sociais, além de mensurar a eficiência dos gastos públicos destinados ao enfrentamento da pobreza. O índice considera fatores relacionados a educação, saúde, moradia, trabalho, acesso à água, saneamento básico e outras condições que influenciam diretamente o bem-estar da população. A proposta é oferecer uma visão mais abrangente das privações enfrentadas pelos brasileiros e fornecer subsídios para o planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas. Um dos principais resultados apontados pelo estudo é que a eficiência técnica dos Estados influencia diretamente a capacidade de redução da pobreza.
Segundo a análise, algumas Unidades Federativas conseguem obter melhores resultados sociais com menor volume de recursos, enquanto outras apresentam menor efetividade na transformação dos gastos públicos em melhorias concretas para a população. Entre 2016 e 2024, o levantamento identificou redução da pobreza multidimensional entre as populações classificadas como pobres, muito pobres e extremamente pobres. Apesar desse avanço, permanecem diferenças regionais relevantes, especialmente nos Estados das Regiões Norte e Nordeste. O estudo também observou que os gastos públicos federais, estaduais e municipais destinados às áreas analisadas apresentaram trajetória de crescimento seguida de estabilização ao longo do período, com exceção de 2021, quando os efeitos da pandemia de Covid-19 alteraram significativamente o padrão de despesas governamentais.
De acordo com o TCU, a criação do indicador busca preencher uma lacuna existente no sistema de monitoramento das políticas públicas brasileiras. Atualmente, o País não dispõe de um índice oficial de pobreza multidimensional que sirva como referência para definição de metas, coordenação federativa e avaliação dos resultados das ações governamentais. O desenvolvimento metodológico do IMP-A contou com apoio da Universidade de Oxford e utilizou como principal base de dados o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). A proposta é que o indicador possa futuramente ser institucionalizado e adotado como ferramenta permanente de acompanhamento das condições socioeconômicas da população. O levantamento também identificou fragilidades na governança de dados públicos. Embora o CadÚnico possua uma base considerada robusta, a integração com outros sistemas governamentais ainda é limitada, dificultando análises mais abrangentes e o monitoramento coordenado das políticas sociais.
Entre 2016 e 2024, os gastos públicos federais, estaduais e municipais nas áreas analisadas somaram aproximadamente R$ 40 trilhões. A avaliação da Corte é que o volume de recursos, por si só, não garante redução da pobreza, sendo necessário que as políticas sejam bem direcionadas, focalizadas, eficientes, efetivas e continuamente monitoradas. A análise também conclui que a ausência de um índice multidimensional oficial dificulta o estabelecimento de metas claras e mensuráveis para a redução da pobreza, comprometendo a transparência e a avaliação dos resultados das políticas públicas. Como referência internacional, o estudo destaca experiências de países como México, Colômbia e Chile, que avançaram na formulação de políticas sociais após a adoção de indicadores multidimensionais de pobreza. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.