16/Jun/2026
A percepção dos trabalhadores brasileiros sobre as condições de emprego permanece marcada por cautela, embora os indicadores atuais ainda reflitam um mercado de trabalho relativamente aquecido. Levantamento da Sondagem do Mercado de Trabalho do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) mostrou que 51,2% dos entrevistados consideram estar difícil ou muito difícil conseguir trabalho atualmente no País. Entre os respondentes, 41,9% classificaram a obtenção de emprego como difícil e 9,3% como muito difícil. Por outro lado, 25,5% avaliaram que está fácil ou muito fácil encontrar uma ocupação, maior percentual registrado nos 12 meses da série histórica. Desse total, 23,3% consideraram a situação fácil e 2,2% muito fácil. Outros 23,3% classificaram as condições atuais como normais. As expectativas para os próximos seis meses indicam um cenário mais conservador.
A parcela dos entrevistados que acredita em deterioração das condições do mercado de trabalho alcançou 37,1%, sendo 33,6% esperando uma situação mais difícil e 3,5% prevendo um cenário muito difícil. Em contrapartida, 29,6% demonstraram expectativa positiva, com 28,9% projetando maior facilidade para obtenção de emprego e 0,7% prevendo condições muito favoráveis. Outros 33,3% acreditam na manutenção do cenário atual. Os resultados sugerem que, apesar da continuidade de indicadores historicamente favoráveis de ocupação, cresce a preocupação dos trabalhadores em relação à sustentabilidade desse desempenho nos próximos meses. A avaliação ocorre em um contexto de desaceleração gradual da atividade econômica e aumento das incertezas macroeconômicas, fatores que tendem a influenciar o ritmo de geração de vagas. A pesquisa também apontou mudanças moderadas na percepção sobre satisfação profissional.
A proporção de trabalhadores muito satisfeitos com o emprego principal recuou de 13,1% em abril para 12,6% em maio. Em contrapartida, a parcela de satisfeitos avançou de 63,8% para 64,1%, enquanto o percentual de insatisfeitos diminuiu de 7,5% para 6,9%. Outro indicador monitorado pela sondagem mostrou ligeira piora na avaliação sobre suficiência da renda do trabalho. A fatia de trabalhadores que considera o rendimento atual suficiente para cobrir as despesas essenciais passou de 70,8% em abril para 70,3% em maio. O conjunto dos resultados sinaliza que o mercado de trabalho brasileiro continua sustentado por níveis historicamente baixos de desocupação, mas já apresenta sinais de moderação no ritmo de contratações, refletindo um ambiente econômico mais desafiador para os próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.