16/Jun/2026
Segundo a Fitch Ratings, a intensificação do fenômeno El Niño e sua possível permanência até o início de 2027 elevam os riscos de choques econômicos para diversos países, especialmente aqueles com maior dependência da atividade agrícola, menor qualidade de crédito e restrições de acesso ao financiamento internacional. Haverá impactos sobre crescimento econômico, inflação, contas públicas e equilíbrio externo das economias mais vulneráveis. Embora seja pouco provável que eventuais revisões de classificação de risco sejam atribuídas diretamente ao fenômeno climático, os efeitos econômicos associados ao El Niño podem agravar fragilidades já existentes em determinados países. As economias com rating na categoria B ou inferior, histórico de aumento do endividamento em períodos de crise e acesso limitado aos mercados financeiros internacionais aparecem entre as mais expostas. O alerta ocorre após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmar, em 11 de junho, o desenvolvimento das condições de El Niño no Pacífico tropical.
As projeções indicam 63% de probabilidade de que as temperaturas da superfície do mar atinjam níveis compatíveis com um episódio considerado muito forte. Além disso, estimativas do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos apontam 96% de probabilidade de permanência do fenômeno entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, aumentando a perspectiva de impactos prolongados sobre a produção agrícola e a atividade econômica global. O El Niño altera os padrões climáticos em diferentes regiões do mundo, provocando excesso de chuvas em algumas áreas e períodos de seca em outras. Essas mudanças podem afetar significativamente a produtividade agrícola, a disponibilidade de água, a geração de energia e a dinâmica econômica de diversos países. Entretanto, os efeitos não são uniformes. Em determinadas regiões, o aumento das precipitações pode favorecer o desenvolvimento das lavouras e resultar em ganhos de produtividade, mitigando parte dos impactos negativos associados ao fenômeno.
Chama atenção os riscos relacionados aos mercados globais de alimentos. O cenário atual já apresenta incertezas decorrentes da elevação dos custos dos fertilizantes e das restrições de oferta associadas às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. Nesse contexto, um episódio prolongado de El Niño pode ampliar os desequilíbrios na produção agrícola mundial. A combinação entre condições climáticas adversas, custos elevados de insumos e potenciais interrupções nas cadeias globais de abastecimento aumenta o risco de valorização das commodities agrícolas negociadas internacionalmente. Esse movimento pode gerar pressões inflacionárias adicionais tanto em economias emergentes quanto em países de maior qualidade de crédito. A avaliação reforça a crescente importância dos fatores climáticos na análise de risco soberano, especialmente em economias cuja atividade produtiva, arrecadação fiscal e geração de divisas dependem fortemente do desempenho do setor agropecuário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.