16/Jun/2026
O aumento da probabilidade e da intensidade do fenômeno El Niño levou o Bradesco a incorporar perdas potenciais na safra brasileira de grãos de 2026/27 e a revisar suas perspectivas para os mercados agrícolas globais. A avaliação indica que o fenômeno climático poderá reduzir a produção em importantes regiões produtoras e contribuir para um cenário de maior sustentação dos preços, especialmente para milho e trigo. Segundo o Monitor Agro, o agravamento das condições climáticas pode intensificar o aperto já projetado para os balanços globais de grãos. O risco climático se soma às estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que já apontam déficits mundiais para milho e trigo na próxima temporada. As projeções incorporam dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam a possibilidade de um evento de El Niño de forte intensidade durante o segundo semestre.
O fenômeno tende a aumentar as chuvas no Sul da América do Sul, favorecendo a produtividade em algumas regiões, mas pode reduzir as precipitações no Norte e Nordeste do Brasil, no Sudeste Asiático e na Austrália, afetando culturas como grãos e açúcar. O alerta ocorre apesar da perspectiva de uma safra recorde de grãos no Brasil em 2025/26. De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira foi revisada para 358,6 milhões de toneladas. O resultado é impulsionado principalmente pela soja, cuja produção está estimada em 180,3 milhões de toneladas, além do avanço da produção total de milho, sustentado pelo desempenho do milho de verão, que compensou perdas de produtividade registradas em parte da 2ª safra de 2026 em alguns Estados. As preocupações concentram-se na temporada 2026/27, quando o fenômeno climático poderá coincidir com fases críticas do desenvolvimento das lavouras.
Na soja, embora o USDA projete crescimento da produção global com aumento da oferta nos Estados Unidos, Brasil e Argentina, o Bradesco avalia que eventuais perdas na produção brasileira podem ter impacto mais relevante sobre o mercado internacional do que possíveis ganhos observados na Argentina, devido à participação do Brasil na oferta mundial da oleaginosa. No milho, o cenário global já apresenta fundamentos apertados. O USDA estima redução de 27 milhões de toneladas na produção mundial em 2026/27, reflexo principalmente da menor produção nos Estados Unidos, onde parte da área cultivada migrou para a soja. Com o consumo global em expansão, a projeção é de déficit de 22 milhões de toneladas. Perdas adicionais no Brasil associadas ao El Niño podem ampliar ainda mais esse desequilíbrio. Para o trigo, o USDA projeta déficit global de 5 milhões de toneladas na próxima temporada. A Austrália, um dos principais exportadores mundiais do cereal, pode sofrer redução de produção em decorrência do fenômeno climático, uma vez que eventos de El Niño normalmente provocam diminuição das chuvas no país.
Esse cenário tende a intensificar as restrições de oferta e fortalecer os preços internacionais. Diante desse contexto, o Bradesco projeta um balanço global ainda mais apertado para os principais grãos, o que deve sustentar cotações mais elevadas ao longo da safra 2026/27, com destaque para milho e trigo. O mercado de açúcar também integra as preocupações relacionadas ao clima. O Bradesco estima déficit global de 4,03 milhões de toneladas em 2026/27, após um superávit de 250 mil toneladas projetado para 2025/26. A expectativa é de retração de 2% na produção mundial, enquanto o consumo deve permanecer praticamente estável. No Brasil, as projeções apontam redução de 2% na produção de açúcar do Centro-Sul e queda de 6% na região Norte-Nordeste na próxima temporada, refletindo os possíveis impactos do fenômeno climático sobre a produtividade e a oferta da commodity. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.