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16/Jun/2026

Clima: El Niño amplia os riscos para agropecuária

Segundo a StoneX, o El Niño já está presente, elevando o risco climático para café, cacau, açúcar, grãos e óleos vegetais nos próximos meses. O fenômeno deve ser acompanhado de perto pelos mercados porque pode transformar mudanças de chuva e temperatura em risco de oferta, sobretudo se os efeitos coincidirem com fases sensíveis das lavouras. Segundo o relatório mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño se desenvolveu no último mês. As temperaturas da superfície do mar estão acima da média no Pacífico central e oriental, e a atmosfera também passou a responder de forma mais clara. Porém, o alerta ainda deve ser tratado como sinal de risco, não como quebra de safra garantida. O El Niño está presente, deve se fortalecer e os riscos climáticos estão aumentando. Mas ainda é um sinal de risco, não um resultado certo.

A conexão entre oceano e atmosfera é o ponto central da análise. Quando os dois sistemas atuam juntos, aumenta a chance de alteração em ventos e padrões de chuva ao redor do mundo. Para os mercados, isso importa porque riscos climáticos podem se tornar riscos de oferta. O mesmo padrão climático pode ter impacto diferente dependendo de quando ocorre durante o ciclo produtivo, seja no plantio, no florescimento, no enchimento de grãos ou na colheita. Os impactos variam por região. O El Niño costuma elevar o risco de tempo mais seco na Austrália, na Indonésia e em partes do leste da Ásia. Na América do Sul, os efeitos são mistos: ao longo da costa do Pacífico e no sul do continente, o fenômeno pode trazer chuvas mais intensas, enquanto no norte da América do Sul e em partes do Nordeste do Brasil costuma estar associado a condições mais secas.

O El Niño não causa a mudança climática, por ser um padrão natural do Pacífico tropical. O risco adicional vem do fato de o fenômeno ocorrer em um mundo já mais quente. O aquecimento global eleva o piso e o El Niño pode elevar o teto. A NOAA aponta 63% de chance de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro. Porém, intensidade não é sinônimo de dano. Cada El Niño é diferente. O impacto depende da força, do momento, da duração e de outros sistemas climáticos. Para os próximos meses, a orientação é cruzar o sinal climático com a fase das lavouras em cada região produtora antes de antecipar perdas. O valor de uma previsão de El Niño é justamente dar tempo para preparação. Devemos monitorar o sinal, atualizar as previsões e preparar diferentes cenários. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.