17/Jun/2026
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) registrou queda de 0,30% em junho, após alta de 0,89% em maio. O resultado ficou próximo ao piso das estimativas do mercado financeiro, que variavam de recuo de 0,35% a avanço de 0,92%, com mediana positiva de 0,54%. Com o resultado, o IGP-10 acumula alta de 3,16% em 2026 e avanço de 2,15% nos últimos 12 meses. O período de coleta de preços utilizado para o cálculo do índice compreendeu os dias entre 11 de maio e 10 de junho. O principal fator para a deflação foi o comportamento dos preços no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) recuou 0,71% em junho, revertendo a alta de 0,95% observada em maio. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) desacelerou de 0,68% para 0,56%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) acelerou de 0,86% para 0,92%.
No atacado, a queda dos preços de commodities agrícolas e energéticas foi determinante para o resultado. Entre os principais recuos estiveram café em grão (-9,51%), cana-de-açúcar (-4,51%), bovinos (-1,30%), álcool etílico anidro (-7,60%) e óleo diesel (-3,09%). Em sentido contrário, alguns produtos agropecuários apresentaram elevação relevante de preços. As principais altas foram observadas na batata-inglesa (51,23%), feijão em grão (18,14%), leite in natura (4,74%), soja em grão (1,26%) e óleos lubrificantes (21,55%). No segmento agropecuário do IPA, os preços recuaram 0,09% em junho, após queda de 0,26% em maio. Já os produtos industriais registraram retração de 0,91%, revertendo a alta de 1,34% observada no mês anterior. A análise por estágio de processamento mostrou desaceleração ao longo da cadeia produtiva.
Os bens finais avançaram 0,49% em junho, abaixo da alta de 0,81% em maio. Os bens intermediários subiram 0,57%, desacelerando frente ao aumento de 2,41% no mês anterior. Já as matérias-primas brutas passaram de alta de 0,06% para queda de 2,39%. No varejo, a desaceleração do IPC-10 foi influenciada principalmente pela redução dos preços dos combustíveis. A gasolina recuou 1,83% e o etanol caiu 6,77%. Também contribuíram para aliviar a inflação ao consumidor o café em pó (-3,34%), aparelhos telefônicos celulares (-1,02%) e itens de higiene pessoal, como xampu, condicionador e creme (-1,30%). Por outro lado, houve pressão de alta proveniente da tarifa de eletricidade residencial (2,83%), batata-inglesa (43,60%), tomate (16,28%), serviços bancários (2,11%) e condomínio residencial (1,32%). Entre os grupos de despesas do IPC-10, houve desaceleração em Transportes, que passou de alta de 0,29% para queda de 0,49%, além de Saúde e Cuidados Pessoais, de 1,00% para 0,44%, e Educação, Leitura e Recreação, de 0,38% para 0,23%.
Em contrapartida, registraram aceleração Despesas Diversas, Habitação, Vestuário, Comunicação e Alimentação. A inflação ao consumidor medida pelo IPC-S também apresentou desaceleração na segunda quadrissemana de junho, passando de 0,64% para 0,57%. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,54%. O resultado de junho foi fortemente influenciado pela acomodação dos preços internacionais de commodities e pela normalização da oferta em alguns mercados, especialmente de café, cana-de-açúcar e combustíveis. Ao mesmo tempo, fatores sazonais de oferta sustentaram altas expressivas em produtos agrícolas como batata-inglesa e feijão. No varejo, a redução dos combustíveis ajudou a conter a inflação ao consumidor, enquanto a elevação dos custos de mão de obra e de insumos específicos manteve o INCC em trajetória de alta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.