17/Jun/2026
A ampliação do comércio entre Mercosul e União Europeia tende a reduzir tarifas e ampliar oportunidades para o agronegócio brasileiro, mas o principal desafio para o setor deverá continuar concentrado nas exigências não tarifárias impostas pelo bloco europeu. A avaliação do Ministério da Agricultura é de que temas ligados à rastreabilidade, origem, sanidade, sustentabilidade e controle de produção ganharão relevância crescente nas relações comerciais com a Europa. O governo considera que as demandas europeias estão cada vez mais associadas ao perfil de consumo do bloco, caracterizado por maior valorização de atributos ligados à qualidade, segurança alimentar e conformidade regulatória.
Nesse contexto, a agenda comercial entre Brasil e União Europeia tende a incorporar exigências técnicas mais rigorosas, mesmo diante da redução ou eliminação de tarifas de importação. O debate atual sobre o uso de antimicrobianos em produtos de origem animal é apontado como exemplo desse movimento. O tema está entre os principais pontos de discussão nas negociações entre Brasil e União Europeia envolvendo carnes e outros produtos de origem animal, refletindo a crescente importância de critérios regulatórios no acesso ao mercado europeu. A avaliação do Ministério da Agricultura é de que esse processo segue uma trajetória semelhante à observada anteriormente com a rastreabilidade animal.
Inicialmente recebidas com resistência por parte de segmentos produtivos, as exigências acabaram incorporadas às práticas do setor e passaram a integrar os sistemas de controle e certificação utilizados nas exportações. A relação comercial com a União Europeia deverá combinar dois movimentos simultâneos. De um lado, a abertura comercial tende a ampliar a competitividade dos produtos brasileiros por meio da redução de tarifas. De outro, o bloco deverá intensificar exigências técnicas, ambientais e sanitárias como condição para manutenção do acesso ao mercado. Entre os potenciais benefícios do acordo Mercosul-União Europeia está a ampliação da competitividade de produtos agropecuários brasileiros.
Um exemplo citado é o das uvas produzidas no Vale do São Francisco, que poderão se beneficiar da redução da tarifa de importação de 12% para zero. A expectativa é de que medidas semelhantes favoreçam diferentes cadeias produtivas do agronegócio. O governo destaca ainda que grande parte dos quase 5 mil itens contemplados pelo acordo possui ligação direta ou indireta com o setor agropecuário. Além da ampliação das exportações, o Brasil também poderá se beneficiar da importação de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias voltadas ao processamento e à agregação de valor em segmentos como azeite, café, lácteos, óleos essenciais e extratos vegetais.
Na estratégia comercial brasileira, Europa e China ocupam posições complementares. Enquanto a China permanece como principal destino para grandes volumes de commodities agrícolas, como soja, milho e carnes, a União Europeia é vista como um mercado mais seletivo, voltado para produtos de maior valor agregado e com padrões técnicos mais elevados. Em 2025, as exportações agropecuárias brasileiras para a China somaram US$ 55 bilhões, enquanto os embarques destinados à Europa alcançaram US$ 25,2 bilhões. A avaliação do governo é de que há espaço para expansão simultânea das vendas aos dois mercados, sem competição direta entre os perfis de demanda de cada bloco econômico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.