ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

17/Jun/2026

Clima: El Niño eleva volatilidade no Agronegócio

A XP avalia que o avanço do fenômeno El Niño, com confirmação pelo NOAA e projeções de um dos episódios mais intensos já registrados, amplia a atenção do mercado, mas não implica, de forma automática, perdas generalizadas de produtividade no agronegócio. O cenário é considerado pelo relatório como já parcialmente precificado pelos agentes, ainda com elevada incerteza sobre os efeitos efetivos nas safras. No recorte por culturas, a soja no Brasil tende a apresentar resiliência ao fenômeno, com riscos mais concentrados na região do Matopiba, enquanto o Sul do país pode registrar desempenho relativamente mais favorável. Para o milho, o principal ponto de atenção está na 2ª safra, mais dependente de regime de chuvas e suscetível a atrasos de plantio, com maior relevância do risco projetada para o fim de 2026.

No algodão, a correlação com o El Niño é menos consistente, com a Bahia concentrando maior exposição negativa em cenários mais severos. No segmento de açúcar, o El Niño é apontado como um dos eventos climáticos mais sensíveis, com potencial de reduzir a produtividade da cana-de-açúcar no Brasil e pressionar a oferta exportável de Índia e Tailândia. Para o trigo, o risco está concentrado no Sul do Brasil, onde o excesso de chuvas e eventos de geada tendem a ser mais frequentes em períodos de El Niño. Já arroz e feijão apresentam baixa consistência estatística de impacto, com efeitos menos persistentes ao longo dos ciclos produtivos. No histórico recente, os episódios mais intensos de El Niño ocorreram em 1997/98 e 2015/16, com este último atingindo pico de +2,6°C.

O ciclo de 2023/24 registrou intensidade de +2,0°C, sendo considerado na faixa superior de eventos fortes e referência recente para calibração de modelos. A maior parte dos episódios históricos se concentrou em intensidade fraca a moderada, indicando que eventos extremos são menos frequentes. Para a soja, mesmo em cenário severo, a perda média estimada de produtividade no Brasil é de cerca de 5%. O maior impacto histórico ocorreu no Matopiba, com recuos entre 37% e 65% no ciclo de 2015/16, enquanto o Mato Grosso do Sul apresenta perdas mais recorrentes, próximas de 20% em 2023/24. A Região Sul do País, especialmente o Rio Grande do Sul, tende a registrar ganhos de produtividade entre 5% e 10% em cenários de El Niño. Considerando queda de 5% na produtividade em 2026/27, a produção brasileira poderia recuar entre 7 milhões e 9 milhões de toneladas, com ajuste via redução de exportações e estoques.

No milho, a sensibilidade ao fenômeno é significativamente maior. Em 2015/16, a produtividade brasileira recuou 23% em relação ao potencial, com queda de cerca de 20% na produção nominal. O principal fator de vulnerabilidade está na dependência da 2ª safra, altamente sensível ao regime de chuvas no outono e inverno, com atrasos de plantio como variável crítica de monitoramento. O cenário geral indica impactos heterogêneos entre culturas e regiões, com tendência de maior volatilidade de produtividade, sem indicação de perdas uniformes no sistema produtivo, mas com aumento do risco climático em culturas mais expostas e em determinadas geografias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.