ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

17/Jun/2026

Clima: El Niño atingirá pico entre novembro-janeiro

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026, aumentando as preocupações do mercado agrícola em relação aos impactos sobre a produção global de grãos e fibras. Segundo o Itaú BBA, há 63% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade elevada entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, podendo integrar o grupo dos eventos mais fortes registrados desde 1950. O fenômeno foi caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico. Embora ainda não haja definição sobre sua classificação como um “super El Niño”, a expectativa é de que o evento exerça influência relevante sobre os padrões climáticos em importantes regiões produtoras ao redor do mundo. No Brasil, a transição para a estação seca consolidou perdas na 2ª safra de milho em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba.

Dados do Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam reduções de produtividade em Goiás, Minas Gerais e na região formada por Maranhão, Tocantins e Piauí, resultado do plantio fora da janela ideal e da ocorrência de períodos de até 30 dias sem precipitações durante abril. O clima seco previsto para junho e julho deve favorecer o avanço da colheita de milho e algodão no Centro-Sul, mas encerra a possibilidade de recuperação das lavouras afetadas pelo déficit hídrico. Em Mato Grosso, principal produtor nacional de milho, a produção é estimada entre 52 milhões e 55 milhões de toneladas, próxima ao volume de 55,4 milhões de toneladas registrado na safra 2024/25. Paraná e Mato Grosso do Sul apresentaram melhora nas condições das lavouras após as chuvas registradas em maio. Nos Estados Unidos, o cenário permanece mais favorável. O plantio de soja alcançou 92% da área projetada no início de junho, acima dos 89% observados no mesmo período do ano passado e da média de 88% dos últimos cinco anos.

As previsões climáticas para o trimestre entre junho e agosto indicam condições adequadas para o cinturão produtor de grãos, sustentando as estimativas atuais para soja, milho e algodão. Apesar disso, a NOAA projeta temperaturas acima da média no Meio Oeste norte-americano durante o início do verão. No oeste do Texas, a seca já atinge 63% da área cultivada com algodão, embora as chuvas registradas no fim de maio tenham contribuído para amenizar parte do estresse hídrico. A confirmação do El Niño reforça a atenção dos mercados agrícolas para o comportamento climático dos próximos meses. O fenômeno pode influenciar diretamente a formação das safras 2026/27 no Hemisfério Sul, além de alterar expectativas de produção em importantes exportadores globais, afetando os preços internacionais de commodities agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.