17/Jun/2026
O Ministério da Agricultura negocia com o Ministério da Fazenda um Plano Safra 2026/27 com volume de recursos entre R$ 568 bilhões e R$ 570 bilhões, cerca de 10% acima dos R$ 516 bilhões disponibilizados no ciclo anterior. As negociações ainda estão em andamento e envolvem tanto o montante de recursos quanto as condições financeiras das linhas de crédito. O Ministério da Agricultura busca reduzir as taxas de juros praticadas atualmente na agricultura empresarial, que variam entre 8% e 13,5% ao ano, dependendo da modalidade de financiamento. A referência utilizada nas negociações é o programa Move Agro, lançado recentemente durante a Bahia Farm Show, que disponibilizou R$ 14 bilhões para aquisição de máquinas e equipamentos com juros de 9,26% ao ano. A meta da pasta é alcançar taxas médias de um dígito no próximo Plano Safra, com redução aproximada de dois pontos porcentuais em relação aos níveis atuais.
Mesmo que o aumento de 10% nos recursos não seja integralmente aprovado, uma correção próxima à inflação já representaria avanço diante do atual cenário fiscal. A definição final depende das negociações com a equipe econômica, responsável pela disponibilidade orçamentária do programa. Além do volume de recursos, o Ministério da Agricultura considera fundamental associar o novo Plano Safra a medidas de enfrentamento do endividamento rural. O principal desafio não está apenas na oferta de crédito pelos bancos, mas na capacidade dos produtores de acessarem novos financiamentos diante de passivos acumulados. Nesse contexto, a Pasta acompanha a tramitação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, aprovado pelo Senado e atualmente em análise na Câmara dos Deputados. A proposta prevê mecanismos para renegociação de aproximadamente R$ 140 bilhões em dívidas do setor agropecuário. Para o governo, a solução para o endividamento e a redução das taxas de juros precisam avançar de forma conjunta para ampliar a capacidade de investimento dos produtores.
O seguro rural também foi apontado como uma das prioridades para a próxima safra. Soares defendeu a ampliação dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), especialmente após o bloqueio de R$ 461,6 milhões, equivalente a 54% do orçamento inicialmente previsto para o programa. A expansão da cobertura securitária tornou-se ainda mais necessária diante da maior frequência de eventos climáticos extremos. O seguro rural é visto pelo governo como instrumento essencial para reduzir riscos, preservar a renda dos produtores e ampliar a segurança das operações de crédito rural. A expectativa do Ministério da Agricultura é que o Plano Safra 2026/27 seja lançado no início de julho, contemplando recursos mais robustos, juros mais acessíveis e maior integração entre crédito, renegociação de dívidas e seguro rural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.