17/Jun/2026
O dólar encerrou esta terça-feira (16/06) em alta frente ao Real, na contramão do comportamento da moeda norte-americana no exterior. A valorização foi atribuída à combinação de preocupações com o cenário fiscal doméstico, repercussões de pesquisa eleitoral e à forte queda dos preços do petróleo, que reduziu parte do suporte recente ao câmbio brasileiro por meio dos termos de troca. Após registrar mínima de R$ 5,04 no início dos negócios, a moeda norte-americana ganhou força ao longo da sessão e atingiu máxima de R$ 5,10. No fechamento, o dólar avançou 0,39%, cotado a R$ 5,08. Com o resultado, a divisa acumula alta de 0,50% nos dois primeiros pregões da semana e de 0,87% em junho. No acumulado de 2026, porém, ainda apresenta queda de 7,33%. O movimento ocorreu em meio à cautela dos investidores antes das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
No mercado, há expectativa em relação ao posicionamento do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), mesmo após o recuo das cotações do petróleo. No cenário doméstico, a divulgação da deflação do IGP-10 de junho e do desempenho mais fraco do varejo em abril reforçou a percepção de continuidade do processo de ajuste da taxa Selic. No ambiente político, pesquisa CNT/MDA influenciou os ativos locais ao indicar manutenção da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto para as eleições presidenciais. No mercado internacional, os contratos futuros de petróleo ampliaram as perdas após avanços nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã e a perspectiva de retomada das exportações iranianas. O Brent para agosto recuou 5,06%, encerrando a US$ 78,96 por barril, abaixo de US$ 80,00 por barril pela primeira vez desde março.
A queda do petróleo afetou ativos brasileiros ligados a commodities e contribuiu para a redução da entrada de recursos estrangeiros. O movimento ocorreu em um contexto de maior concorrência por capital internacional, favorecendo os mercados acionários dos Estados Unidos. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, operou próximo da estabilidade, em torno de 99,55 pontos. O mercado também acompanhou a decisão do Banco do Japão, que elevou a taxa básica de juros para 1%, o maior nível desde 1995. Para os próximos dias, as atenções permanecem voltadas às decisões dos bancos centrais e aos sinais sobre a trajetória dos juros globais. A combinação entre cenário fiscal doméstico, ambiente eleitoral e política monetária internacional deve continuar determinando o comportamento do câmbio no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.