18/Jun/2026
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 45% das empresas industriais brasileiras projetam aumento do endividamento bancário nos próximos três meses. A expectativa reflete a necessidade crescente de financiamento para cobrir despesas operacionais e sustentar o capital de giro em um ambiente marcado por juros elevados e condições de crédito mais restritivas. O atual cenário monetário continua pressionando as operações industriais por meio do encarecimento do crédito e da elevação das despesas financeiras. Com juros reais próximos de 10% ao ano, as empresas enfrentam maiores dificuldades para financiar capital de giro, refinanciar passivos e manter investimentos.
A demanda por crédito associado a contas a receber também tende a aumentar. Segundo o levantamento, 51% das empresas esperam ampliar a necessidade desse tipo de financiamento no próximo trimestre. Esse mecanismo é utilizado quando as vendas são realizadas a prazo, mas os recursos precisam ser antecipados para cobrir despesas correntes. Ao mesmo tempo, 45% das indústrias projetam aumento dos juros cobrados nessas operações, percentual que sobe para 56% entre as empresas que esperam ampliar a utilização dessa modalidade de crédito. O estudo também aponta maior necessidade de recursos para financiamento de estoques.
Fatores como prazos mais longos de comercialização e aumento dos custos de carregamento podem ampliar a demanda por capital destinado à aquisição, produção e manutenção de insumos e mercadorias. Nesse segmento, 45% das empresas esperam elevação das taxas de juros, percentual que alcança 63% entre aquelas que projetam aumento da procura por crédito para estoques. Entre as modalidades de financiamento analisadas, a maior pressão foi observada nas operações voltadas ao financiamento de contas a pagar. O levantamento mostra que 59% das empresas preveem aumento da demanda por crédito para cumprir compromissos com fornecedores, tributos e demais despesas operacionais.
Além disso, 52% dos entrevistados esperam elevação das taxas de juros nessas operações, índice que sobe para 72% entre as empresas que deverão recorrer mais intensamente a esse tipo de financiamento. O impacto do ambiente financeiro também aparece nas projeções de rentabilidade. De acordo com a pesquisa, 64% das empresas industriais esperam redução da margem líquida nos próximos três meses. O resultado sinaliza expectativa de queda na lucratividade diante da combinação entre custos operacionais elevados, despesas financeiras mais altas e carga tributária. Como estratégia para compensar parte dessa pressão sobre as margens, 51% das empresas pretendem reajustar os preços de venda no próximo trimestre. Apenas 7% projetam redução de preços, enquanto 43% esperam manter os valores atuais.
O levantamento sugere que parte dos aumentos de custos ainda deverá ser repassada ao mercado, embora uma parcela relevante das indústrias enfrente limitações para elevar preços devido à concorrência, especialmente de produtos importados. A Consulta Empresarial da CNI tem como objetivo acompanhar a percepção dos industriais sobre os efeitos da política monetária e das condições de crédito sobre as operações do setor. Nesta edição, foram consultadas 183 empresas industriais entre 25 de maio e 8 de junho de 2026, abrangendo 26 setores industriais distribuídos em 20 unidades federativas do Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.