18/Jun/2026
O governo federal intensificou as discussões para viabilizar espaço fiscal que permita ampliar os recursos destinados ao Plano Safra 2026/27, previsto para entrar em vigor em 1º de julho. As negociações envolvem principalmente a compatibilização entre as demandas apresentadas pelos Ministérios da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e a disponibilidade orçamentária calculada pelo Tesouro Nacional. Os estudos preliminares indicam que os recursos atualmente disponíveis no orçamento estão abaixo do necessário para atender integralmente às propostas apresentadas pelas áreas responsáveis pelo crédito rural.
Apesar disso, as projeções ainda não são definitivas e seguem em revisão pelas equipes técnicas envolvidas. As propostas encaminhadas para a agricultura empresarial e para a agricultura familiar somam R$ 652 bilhões, valor 10% superior aos R$ 594,4 bilhões disponibilizados no Plano Safra 2025/26. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) defende a destinação de R$ 570 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo operações com Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da adoção de taxas de juros em patamar de um dígito. O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) solicita R$ 82 bilhões para a agricultura familiar, com aumento de 5% nos recursos e manutenção das taxas atualmente praticadas.
As propostas estão sendo analisadas em conjunto pelos ministérios, além da equipe política do governo. Interlocutores envolvidos nas negociações avaliam que ainda existe possibilidade de mobilização política para viabilizar um aumento de recursos de pelo menos 10% em relação à safra anterior. A definição do programa ganhou prioridade devido à proximidade do lançamento oficial. Um dos principais desafios está relacionado ao volume de recursos necessários para equalização das taxas de juros. Na safra 2025/26, o Tesouro Nacional destinou R$ 13,5 bilhões para subsidiar operações de crédito rural voltadas a pequenos, médios e grandes produtores.
Para a safra 2026/27, estimativas do setor produtivo apontam necessidade entre R$ 23 bilhões e R$ 27 bilhões para permitir uma oferta total de crédito entre R$ 630 bilhões e R$ 670 bilhões. A Lei Orçamentária Anual prevê atualmente R$ 18,772 bilhões para subvenção de operações oficiais de crédito, indicando a necessidade de suplementação orçamentária caso o governo opte por ampliar os recursos disponibilizados no próximo ciclo. Além dos recursos do Tesouro destinados à equalização das taxas, o volume final do Plano Safra dependerá da capacidade de captação das fontes tradicionais de financiamento, como exigibilidades bancárias, depósitos à vista, poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
No Plano Safra 2025/26, foram disponibilizados R$ 78,2 bilhões para a agricultura familiar, com juros entre 0,5% e 6% ao ano; R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp; R$ 258,6 bilhões para demais produtores e cooperativas; e R$ 188,5 bilhões em CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório. Considerando médios e grandes produtores, a agricultura empresarial recebeu R$ 516,2 bilhões, incluindo CPRs direcionadas, com taxas entre 8,5% e 14% ao ano. O volume total ofertado alcançou R$ 594,4 bilhões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.