18/Jun/2026
O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPR) atingiu R$ 565 bilhões em maio de 2026, registrando crescimento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reforça a consolidação da CPR como um dos principais instrumentos de financiamento privado do agronegócio brasileiro. Os dados constam do Boletim de Finanças Privadas do Agro, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que acompanha a evolução dos principais títulos e fundos voltados ao financiamento privado das atividades agropecuárias. Apesar da expansão do estoque total, o volume de novas emissões apresentou desaceleração na atual safra. Entre julho de 2025 e maio de 2026, os registros de CPR somaram R$ 343,9 bilhões, retração de 6% em relação aos R$ 366,6 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. Segundo a Secretaria de Política Agrícola (SPA), a CPR mantém trajetória de fortalecimento e amplia sua relevância na estrutura de financiamento do setor, contribuindo para diversificar as fontes de recursos disponíveis aos produtores e agentes das cadeias agroindustriais.
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) encerraram maio com estoque de R$ 571,51 bilhões, praticamente estável em relação aos últimos doze meses, registrando leve retração de 0,3%. Mesmo com estabilidade no estoque total, os recursos efetivamente destinados ao financiamento agropecuário cresceram de forma significativa. Pelo menos R$ 342,9 bilhões foram direcionados obrigatoriamente ao crédito rural, volume 20% superior ao observado um ano antes. O avanço reflete a elevação da exigibilidade regulatória das LCAs, que passou de 50% para 60% dos recursos captados. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) também mantiveram trajetória positiva, alcançando estoque de R$ 175,7 bilhões em maio, alta de 12% na comparação anual. O resultado evidencia o fortalecimento desse instrumento como alternativa de captação de recursos para empresas e agentes das cadeias produtivas do agronegócio. Em sentido oposto, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) apresentaram retração de 6% nos estoques em relação ao mesmo período de 2025.
O movimento ainda reflete a acomodação após o crescimento extraordinário observado em agosto de 2024, cuja expansão vem sendo gradualmente absorvida pelo mercado. Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) seguem ampliando sua participação no financiamento do setor. Em abril de 2026, o patrimônio líquido desses fundos atingiu R$ 62 bilhões, distribuídos entre 247 veículos em operação. Embora ainda representem parcela menor do volume total de recursos privados destinados ao agronegócio, os Fiagro mantêm trajetória consistente de crescimento e refletem o avanço da participação do mercado de capitais no financiamento das atividades agropecuárias brasileiras. Os dados reforçam a crescente importância dos mecanismos privados de financiamento para o agronegócio, especialmente em um cenário de expansão da demanda por crédito e diversificação das fontes de recursos disponíveis ao setor. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.