19/Jun/2026
O Parlamento do Irã indica manutenção de cobrança por serviços no Estreito de Ormuz, sob argumento de soberania sobre a região e de que a rota marítima não retornará às condições anteriores ao conflito recente na área. O entendimento divulgado pela mídia estatal iraniana aponta que a medida não é caracterizada como ação contrária às normas internacionais de navegação, mas como exercício de gestão sobre um ponto estratégico de passagem de embarcações. O posicionamento também insere a política externa iraniana em uma abordagem descrita como diplomacia de força, em contexto de baixa confiança em relação aos Estados Unidos, incluindo interação diplomática com o vice-presidente norte-americano JD Vance, integrante do governo dos Estados Unidos. Informações da agência Tasnim, ligada ao Irã, indicam coordenação de medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz com o governo de Omã, com previsão de troca de informações com outros atores conforme necessário.
O fluxo de tráfego marítimo na região é tratado como sujeito a normalização em prazo ainda indefinido, condicionado a entendimentos firmados no âmbito das negociações com os Estados Unidos e ajustes operacionais entre os países envolvidos. O movimento amplia a atenção do mercado internacional para o Estreito de Ormuz, corredor estratégico responsável por parcela relevante do transporte global de petróleo e gás natural, com potencial de impacto sobre fluxos logísticos e custos de frete marítimo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Irã e Omã chegaram, "em grande medida", a um acordo sobre os mecanismos de administração do Estreito de Ormuz, em meio às negociações com os Estados Unidos. A gestão da passagem estratégica ficará sob responsabilidade compartilhada dos dois países, e o Irã receberá compensação financeira pelos serviços prestados no Estreito.
Baghaei também reiterou que o programa de defesa iraniano não fará parte de nenhuma negociação. "Nossas capacidades de defesa não serão discutidas em nenhum processo", declarou. Sobre a questão nuclear, o porta-voz disse que o Irã não aceitará enviar material enriquecido para fora do país. A única alternativa considerada aceitável é a redução do nível de enriquecimento dentro do próprio território iraniano. O representante iraniano voltou a defender o fim das restrições ao setor energético. Segundo Baghaei, as sanções sobre o petróleo iraniano devem ser suspensas, permitindo que o país venda sua produção sem obstáculos relacionados a transporte, seguros ou recebimento de receitas. Baghaei também acusou Israel de tentar impedir avanços diplomáticos e disse que cabe aos Estados Unidos garantir que o país cumpra os compromissos assumidos no memorando de entendimento. A capacidade de dissuasão iraniana e o princípio da reciprocidade são as principais garantias para a implementação do acordo.
Três superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita, carregando 6 milhões de barris de petróleo bruto, atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (18/06). A navegação aconteceu horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter assinado um acordo com o Irã para encerrar a guerra que interrompeu o fornecimento global de energia. Segundo a Reuters, as partidas dos portos sauditas foram as maiores pela importante rota marítima em semanas. Ainda, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que diversos países estão reavaliando suas políticas energéticas após o fechamento do Estreito de Ormuz durante a guerra. Todos os atores sabem agora que o Estreito de Ormuz foi fechado uma vez e pode ser fechado novamente. A AIE defendeu a reabertura da passagem "sem condições", para que todas as partes "acreditem que ela é segura". A crise remodelou o cenário energético global e reforçou a importância da confiança nos mercados de energia. Fontes: Broadcast Agro, Reuters e Baha. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.