19/Jun/2026
O Brasil perdeu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, elaborado pelo Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), passando da 58ª para a 65ª colocação entre as 70 economias avaliadas. O resultado reforça os desafios estruturais enfrentados pelo País em áreas consideradas estratégicas para o aumento da produtividade, da eficiência econômica e da capacidade de geração de riqueza. Apesar de avanços em indicadores relacionados à atração de investimento estrangeiro, geração de empregos, empreendedorismo e produção de energia renovável, o desempenho brasileiro foi prejudicado pela deterioração em áreas como educação básica, qualificação profissional, produtividade da força de trabalho e custo de capital. O levantamento aponta que o País continua enfrentando dificuldades para transformar conhecimento, tecnologia, inovação e investimentos em ganhos efetivos de produtividade.
O conceito analisado envolve a Produtividade Total dos Fatores (PTF), que mede a eficiência na utilização de capital, tecnologia, qualificação profissional e inovação para ampliar a geração de riqueza. Entre os indicadores avaliados, o Brasil registrou forte deterioração em eficiência empresarial, com recuo de 11 posições, além de queda de seis posições no quesito desempenho econômico. O País ocupa a última colocação mundial em educação primária e secundária, habilidades linguísticas, habilidades financeiras e produtividade da força de trabalho. O custo de capital permanece como um dos principais entraves à competitividade. O estudo mostra que o Brasil ocupa a última posição global no indicador de endividamento corporativo. O ambiente regulatório complexo, as incertezas jurídicas e os elevados custos para realização de negócios contribuem para o aumento dos riscos e das dificuldades de financiamento das empresas.
O cenário é reforçado pelos indicadores de inadimplência empresarial. Dados da Serasa Experian mostram que aproximadamente 9 milhões de empresas estavam negativadas, maior patamar da série histórica iniciada em 2016. Na comparação anual, houve aumento de 1,5 milhão de empresas inadimplentes. Embora exista disponibilidade de recursos financeiros na economia, parte significativa é direcionada ao financiamento do setor público, enquanto as empresas enfrentam elevados níveis de endividamento e custos financeiros mais altos, limitando investimentos produtivos e expansão dos negócios. Na dimensão de eficiência governamental, o Brasil também aparece na última posição entre os países avaliados. O resultado está associado à qualidade do gasto público e à capacidade de direcionar recursos para áreas consideradas essenciais ao aumento da competitividade, como educação, saúde, infraestrutura e inovação.
O levantamento destaca que a melhoria da competitividade brasileira depende de avanços na qualificação da mão de obra, na transferência de conhecimento para atividades produtivas, na redução dos custos para fazer negócios e no fortalecimento dos investimentos em educação em todos os níveis. Apesar das limitações estruturais, o estudo ressalta que o Brasil mantém vantagens competitivas relevantes em áreas como energias renováveis, empreendedorismo e setores industriais com elevado padrão tecnológico. Entretanto, fatores como insegurança regulatória, complexidade jurídica e incertezas econômicas continuam restringindo avanços mais consistentes nos indicadores de competitividade. A análise conclui que o aumento da renda da população, associado à expansão da produtividade e da qualificação profissional, permanece como um dos principais desafios para que o País alcance patamares mais elevados de competitividade internacional e reduza os elevados níveis de desigualdade econômica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.