19/Jun/2026
O ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, criticou a condução da política de seguro rural no País e afirmou que a baixa cobertura das lavouras brasileiras reflete a insuficiência de recursos destinados ao programa pelo governo federal. O seguro rural foi estruturado há mais de duas décadas como instrumento de mitigação de riscos e proteção da renda dos produtores, mas ainda alcança uma parcela reduzida da área agrícola nacional. Menos de 5% da área cultivada do País conta atualmente com cobertura securitária. A limitação decorre principalmente da insuficiência de recursos públicos destinados à subvenção dos prêmios, mecanismo considerado fundamental para ampliar a adesão dos produtores.
Rodrigues argumentou que uma política robusta de seguro rural também beneficia o setor público ao reduzir a necessidade de medidas emergenciais de socorro financeiro após eventos climáticos extremos. Nesse contexto, afirmou que parte dos impactos observados recentemente no Rio Grande do Sul poderia ter sido mitigada por um sistema mais abrangente de proteção contra perdas agrícolas. O ex-ministro também criticou a redução dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Recentemente, o Ministério da Agricultura promoveu bloqueio de R$ 461,696 milhões do orçamento previsto para o programa em 2026.
Além do seguro rural, Rodrigues defendeu a construção de uma política permanente de renda para o setor agropecuário, argumentando que o Brasil ainda não dispõe de mecanismos estruturados capazes de oferecer maior estabilidade econômica aos produtores diante de oscilações climáticas e de mercado. Ao comentar o cenário atual do agronegócio, o ex-ministro avaliou que o setor enfrenta um ambiente desafiador, marcado por fatores externos que afetam simultaneamente a agricultura brasileira e internacional. Segundo ele, os efeitos da conjuntura global tendem a exigir maior capacidade de adaptação financeira e operacional por parte dos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.