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29/Jun/2026

Estreito de Ormuz: Irã impõe condições à navegação

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que a segurança da navegação no Estreito de Ormuz depende de coordenação com o Irã e advertiu que rotas alternativas estabelecidas sem autorização iraniana poderão ser suspensas. A autoridade iraniana declarou que a passagem segura pelo Estreito não poderia ser garantida por arranjos paralelos ou decisões externas à participação do Irã. Segundo o governo iraniano, qualquer estrutura de navegação considerada confiável deve estar baseada na coordenação com o país e nas disposições de acordo internacional. A posição indica a possibilidade de suspensão de corredores marítimos alternativos caso não haja alinhamento com as regras estabelecidas pelo Irã para a travessia do Estreito, rota considerada estratégica para o comércio global de petróleo e derivados.

A manifestação ocorre em meio a impasse envolvendo uma rota de navegação apoiada pela Organização Marítima Internacional (IMO), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), criada para viabilizar a saída de embarcações retidas no Golfo Pérsico após o conflito entre Estados Unidos e Irã. A entidade suspendeu temporariamente o plano após incidente envolvendo um navio mercante atingido próximo à costa de Omã, em episódio atribuído por autoridades norte-americanas a um drone iraniano. Paralelamente, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou que a rota alternativa teria sido estabelecida sem coordenação com o Irã e reiterou que apenas o corredor marítimo definido pelo governo iraniano seria autorizado para travessia do Estreito. O governo do Irã já havia alertado que embarcações que utilizarem trajetos não reconhecidos não teriam garantia de segurança na navegação.

A televisão estatal do Irã informou na sexta-feira (26/06) que três petroleiros estrangeiros foram interceptados após tentarem atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota considerada "não autorizada". As embarcações pretendiam utilizar o chamado corredor sul e foram obrigadas a alterar o curso em direção ao Golfo Pérsico após advertência da Marinha da Guarda Revolucionária (IRGC). A “a única autoridade legal" na região é a República Islâmica do Irã e a Marinha da Guarda Revolucionária. A força naval notificou, por volta das 21h30 (de Brasília) de quinta-feira (25/06), madrugada de sexta-feira (26/06) no horário local no Irã, embarcações que operam no Golfo Pérsico e no Mar de Omã de que qualquer rota estabelecida sem coordenação com o Irã para cruzar o estreito é "ilegal, inaceitável e extremamente perigosa". A IRGC também declarou que apenas o corredor marítimo previamente definido pelo Irã pode ser utilizado para a travessia e que os navios devem coordenar a passagem por um canal do rádio marítimo já determinado.

Embarcações que desrespeitarem a determinação poderão perder a cobertura de seguros, enquanto proprietários, operadores e comandantes serão responsabilizados pelas consequências de uma travessia considerada irregular. As declarações ampliam a pressão do governo iraniano contra uma rota alternativa apoiada pela Organização Marítima Internacional (IMO) para permitir a saída de navios retidos no Golfo Pérsico após o conflito entre Estados Unidos e Irã. O governo iraniano advertiu que rotas criadas sem o aval do Irã poderão ser suspensas. Ainda, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) negou na sexta-feira (26/06) a existência de um canal direto de comunicação com os Estados Unidos para tratar da segurança no Estreito de Ormuz, contradizendo informações divulgadas anteriormente pelo lado norte-americano e até pela própria imprensa estatal iraniana. Um porta-voz da IRGC afirmou que as alegações sobre o tema são "completamente falsas" e foram "categoricamente desmentidas". Segundo o militar, "isso não aconteceu e não acontecerá".

O general do grupo paramilitar iraniano acrescentou que "o Estreito de Ormuz é território do Irã e não tem relação com os Estados Unidos". A declaração contrasta com informações divulgadas nos últimos dias pela agência estatal Fars e pela Press TV. No dia 22 de junho, o presidente do Parlamento iraniano e chefe da delegação negociadora, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Irã e Estados Unidos haviam concordado em criar mecanismos de cooperação para a navegação em Ormuz, incluindo uma linha telefônica direta e um centro de contato para administrar incidentes envolvendo embarcações. Também na sexta-feira (26/06), a Press TV também informou que Irã e Estados Unidos haviam estabelecido um canal de comunicação para evitar incidentes militares no Estreito, no âmbito das negociações realizadas na Suíça, com o objetivo de implementar dispositivos do Memorando de Entendimento de Islamabad. Fontes: Broadcast Agro e Press TV. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.