30/Jun/2026
O Plano Safra 2026/27 terá R$ 525,1 bilhões em recursos disponíveis para financiamentos de médios e grandes produtores. O valor é recorde e 1,7% maior que o ofertado na safra anterior, de R$ 516,2 bilhões. São R$ 9 bilhões a mais do que na safra passada. Com isso, o Plano Safra bate recorde pela quarta vez no governo Lula, afirmou o ministro da Agricultura, André de Paula. "Conversamos intensamente nos últimos meses com o Ministério da Fazenda, com o Ministério do Planejamento, com envolvimento direto do vice-presidente (Geraldo) Alckmin e liderança do presidente Lula para apresentar um Plano Safra que é robusto, consistente e que significa um avanço em relação ao do ano passado", acrescentou o ministro. Este foi o primeiro Plano Safra sob sua gestão. O Plano Safra atual foi considerado pelo Executivo um dos mais difíceis de construção, dada a desaceleração na queda da Selic, a disponibilidade limitada de fontes de recursos, comprometidas em parte com renegociações, e a conjuntura desafiadora do agronegócio.
"Houve muita evolução nas tratativas. Estamos felizes e há motivos de sobra para celebrar o resultado desse Plano Safra", avaliou o ministro. Neste cenário, o governo elevou a participação do Tesouro na subvenção aos juros da agricultura empresarial de R$ 3,94 bilhões da temporada passada para R$ 5,56 bilhões, aumento de 41%. A fatia de recursos equalizados, entretanto, caiu de R$ 113,8 bilhões de 2025/26 para R$ 97 bilhões, queda de 14,75% em virtude do maior custo para a compensação dos juros. "Há um esforço muito expressivo do ponto de vista do Tesouro, com o governo quase dobrando o aporte em um momento complexo, o qual reconhecemos, para atender ao setor", explicou De Paula. O maior esforço orçamentário foi feito para possibilitar o aumento de recursos combinado à redução da taxa de juros, que caíram até 1,5%.
Na nova safra, os juros aplicados nos financiamentos da agricultura empresarial passaram para entre 8% ao ano e 12,5% ao ano. Na temporada anterior, as taxas iam de 8,5% ao ano a 14% ao ano. "Desde o início, a nossa preocupação era ter juros mais compatíveis com o setor. A maior parte das taxas está enquadrada em um dígito, com uma queda em torno de 1,5%", apontou De Paula. O ministro destacou a queda nos juros para custeio, de 14% para 12,5% ao ano, para financiamento em armazéns de até 12 mil toneladas, de 8,5% para 8% ao ano. "É um esforço financeiro que sinaliza a sensibilidade do governo para essa questão", observou De Paula. Para o ministro, a ampliação do orçamento destinado pelo governo ao Plano Safra da agricultura empresarial mostra o reconhecimento da importância do agronegócio. "É o principal setor da economia brasileira, responsável por 25% do PIB, que cresceu 11,7% no ano passado e tem batido recorde de safras", pontuou.
Outro fator que pesou na decisão do governo em ampliar os recursos para o Plano Safra foi a preocupação com a contenção da inflação de alimentos. "O governo se preocupa com o custo da alimentação, o que tem reflexo na inflação. O esforço se justifica pela importância do setor e pelo equilíbrio que ele promove em relação ao custo dos alimentos", ponderou o ministro. Inicialmente, o Ministério da Agricultura mirava juros de até um dígito para a safra empresarial. Entretanto, a desaceleração da Selic, e o consequente alto custo para equalização, limitou a redução. "Houve uma queda em média de 1,5% nas taxas ante o praticado no Plano Safra anterior, o dobro da redução vista na taxa básica de juros, a Selic, que saiu de 15% ao ano para 14,25% ao ano em um ano", observou De Paula. Outra prioridade do governo para a nova safra foi elevar os recursos para médios produtores, segundo De Paula.
"Priorizamos o foco no Pronamp. A média de financiamento no Pronamp em quatro anos do governo é de R$ 64 bilhões por ano-safra contra R$ 34 bilhões por ano-safra do ano anterior", apontou. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terá R$ 72,6 bilhões em recursos com taxas controladas, 5% mais que os R$ 69,1 bilhões da safra atual. Os juros dos financiamentos do Pronamp serão de 9% ao ano, um ponto porcentual abaixo dos 10% ao ano da temporada 2025/26. O limite de renda bruta anual para o enquadramento de agricultores no Pronamp, linhas voltadas ao custeio e financiamento de produtores de médio porte, foi mantido em R$ 3,5 milhões de receita bruta anual. Agora, pelo Pronamp, produtores poderão financiar a aquisição de matrizes reprodutoras. Também foi igualada a taxa de comercialização a de custeio no Pronamp a 9% ao ano.
- Modalidades e Programas
A cifra total do Plano Safra da agricultura empresarial inclui R$ 194 bilhões em recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) originadas de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e de recursos captados em poupança rural com direcionamento obrigatório. O governo considera os recursos de CPRs no cálculo final em virtude da isenção fiscal das LCAs direcionadas para o crédito rural, portanto possuem renúncia fiscal e subvenção do Executivo. Na safra passada, as CPRs responderam por R$ 185 bilhões do total. Do total de recursos destinados à agricultura empresarial, as modalidades de custeio e comercialização terão R$ 384,9 bilhões de recursos no Plano Safra 2026/27, 7,2% menos que na temporada passada (R$ 414,7 bilhões). O recuo na cifra destinada a custeio foi restrito aos recursos com taxas livres em virtude de queda na disponibilidade das fontes por operações passadas e renegociações de financiamentos no âmbito da Medida Provisória 1314/2025.
O reforço ao custeio em volume de recursos equalizados e com taxas menores foi prioridade do Ministério da Agricultura. Os juros no custeio empresarial passaram de 14% ao ano para 12,5% ao ano. O governo manteve também o desconto de 0,5% nas taxas de juros do custeio aos produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado, boas práticas ambientais ou financiamentos contratados do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (Renovagro). Para as linhas de investimento, serão destinados R$ 140,2 bilhões, 38% mais que os R$ 101,5 bilhões da temporada passada. A cifra inclui R$ 10 bilhões de recursos anunciados pelo Executivo para o Move Agrícola (linha do Move Brasil para financiamento de máquinas e equipamentos), que será operado pela Finep com juros de 9,2%, e R$ 28,5 bilhões de recursos do EcoInvest Brasil, destinados à recuperação de pastagens degradadas.
Alguns programas de investimento tiveram os valores reduzidos, caso do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA). Os recursos do principal programa de aquisição de máquinas agrícolas passaram a R$ 5,8 bilhões com juros equalizados ante R$ 12,58 bilhões, queda de 54%. Já os recursos do PCA saíram de R$ 8,2 bilhões no ciclo 2025/26 para R$ 5,9 bilhões, retração de 28%. Em contrapartida, houve redução nos juros aplicados, para entre 11,5% e 12,5% ao ano no caso do Moderfrota, e 8% a 9,5% no PCA. A decisão levou em conta a maior cautela dos produtores para investimentos de longo prazo e o desempenho abaixo do esperado das linhas no Plano Safra atual, com o crédito concedido via Moderfrota quase 50% abaixo do previsto.
Houve uma redução, mas os valores permanecem ainda acima do executado na safra anterior. Ambos poderão ser financiados pelo Move Agrícola com juros mais atrativos. Tanto o aumento dos recursos ao custeio quanto a redução do investimento estão adequados ao apetite do mercado com números mais balanceados e compatíveis ao executado na última safra. O governo manteve os porcentuais de recursos de diferentes fontes que devem ser aplicados obrigatoriamente ao crédito rural, o que é conhecido como exigibilidade, atualmente em 31,5% sobre os recursos mantidos em depósito à vista; em 60% para as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e em 70% para poupança rural, conforme antecipou o Broadcast Agro. O tema despertava preocupação nos bancos, que temiam que houvesse dificuldade de cumprimento na aplicação ao crédito rural.
O setor produtivo pedia ao governo R$ 518,2 bilhões em recursos para financiamento da agricultura empresarial, sem considerar as CPRs direcionadas. Após o anúncio oficial do Plano Safra 2025/26, da publicação de portarias complementares, de normativas e da operacionalização dos recursos pelos agentes financeiros, a expectativa é de que os recursos estejam disponíveis aos produtores rurais em até 15 dias. Os detalhes do Plano Safra 2025/26 serão apresentados em cerimônia no Palácio do Planalto nesta terça-feira (30/06), às 10h, com a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin, que estará como presidente em exercício. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.