28/Jul/2026
O monitoramento mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica fortalecimento do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico equatorial, elevando a probabilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade durante o segundo semestre de 2026. As projeções apontam 97% de probabilidade de manutenção do fenômeno até o início de 2027 e 81% de chance de que ele atinja intensidade classificada como muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Os dados mostram que a temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial central e oriental apresentou anomalia semanal de 1,2°C acima da média histórica em julho, posicionando o atual episódio entre os mais intensos observados para esta época do ano desde o início da série histórica, em 1950.
Para o Brasil, a intensificação do El Niño tende a provocar alterações expressivas na distribuição das chuvas e das temperaturas. Historicamente, o fenômeno está associado à redução das precipitações nas Regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de estiagens prolongadas, redução da vazão dos rios e impactos sobre o abastecimento hídrico. Em contrapartida, a Região Sul costuma registrar maior frequência de frentes frias, ciclones extratropicais e volumes elevados de chuva, elevando o risco de enchentes, alagamentos e prejuízos às atividades agropecuárias. No setor agrícola, os impactos tendem a variar conforme a região e a cultura.
A ocorrência de excesso de precipitações na Região Sul pode comprometer operações de campo, favorecer doenças fúngicas e reduzir a qualidade de grãos durante fases críticas de desenvolvimento e colheita. Nas regiões com déficit hídrico, a menor disponibilidade de água pode afetar o desenvolvimento das lavouras, reduzir a produtividade das pastagens e elevar os custos de produção pecuária. O cenário é potencializado pelo contexto de aquecimento global observado nos últimos anos. Com temperaturas médias mais elevadas do que em episódios anteriores de El Niño, os efeitos sobre a agricultura e a pecuária tendem a ser mais intensos, exigindo maior planejamento por parte dos produtores e o reforço das estratégias de manejo, monitoramento climático e mitigação de riscos ao longo do ciclo 2026/27. Fonte: NOAA. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.