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28/Jul/2026

Mercado de carbono amplia oportunidades no Agro

Embora o Brasil figure entre os maiores produtores agropecuários do mundo, sua participação no mercado global de créditos de carbono ainda permanece limitada. Dados do Berkeley Carbon Trading Project, da Universidade da Califórnia (EUA), indicam que, até abril, a agropecuária brasileira respondeu por apenas 2% dos créditos de carbono emitidos por projetos de mitigação climática no setor em nível mundial. A perspectiva, contudo, é de expansão desse mercado nos próximos anos. O desenvolvimento de tecnologias voltadas à mensuração dos estoques de carbono no solo e das reduções de emissões, aliado à regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e ao avanço do mercado regulado previsto no Acordo de Paris, tende a ampliar as oportunidades para produtores rurais que adotam sistemas produtivos de baixa emissão de carbono.

O principal desafio do setor deixou de ser a adoção de práticas capazes de capturar carbono ou reduzir emissões e passou a concentrar-se na comprovação técnica desses resultados de forma confiável, padronizada e economicamente viável. Nesse contexto, tecnologias como sensoriamento remoto, inteligência artificial, espectroscopia e modelos biogeoquímicos vêm reduzindo os custos de monitoramento, aumentando a precisão das medições e favorecendo a escalabilidade dos projetos. Na pecuária, diferentes iniciativas já buscam estruturar projetos para geração de créditos de carbono. Entre as práticas adotadas estão a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o manejo rotacionado das pastagens, o aprimoramento da nutrição animal, o melhoramento genético e o uso de tecnologias destinadas à redução das emissões de metano em bovinos. A expectativa é que os primeiros créditos certificados provenientes desses projetos sejam disponibilizados a partir de 2027.

Outra frente em desenvolvimento busca transformar os ganhos de eficiência da pecuária de corte em ativos ambientais negociáveis. As metodologias em fase de validação internacional contemplam a recuperação de pastagens, sistemas integrados de produção, aditivos nutricionais e melhorias no desempenho produtivo dos rebanhos. A receita obtida com a comercialização dos créditos poderá contribuir para financiar investimentos em tecnologias sustentáveis e acelerar a adoção de sistemas de produção de baixa emissão. O avanço dessas iniciativas reforça o potencial de consolidação do mercado de carbono como uma nova fonte de receita para o setor agropecuário brasileiro. Entretanto, sua expansão dependerá do amadurecimento do ambiente regulatório, da evolução dos processos de certificação e da disponibilidade de metodologias robustas para mensuração e verificação dos resultados ambientais. Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.