29/Jul/2026
Segundo avaliação da Capital Economics, a política tarifária adotada pelos Estados Unidos contra o Brasil, com tarifas de 12,5% relacionadas a uma investigação sobre trabalho forçado e de 25% vinculadas a alegadas práticas comerciais desleais, deverá produzir impacto macroeconômico limitado sobre o País. As exportações brasileiras efetivamente afetadas pelas tarifas mais elevadas, após a aplicação da lista de exceções, representam aproximadamente 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A análise considera ainda que o Brasil ampliou a diversificação de seus mercados externos no último ano, reduzindo a dependência comercial em relação aos Estados Unidos. Nesse cenário, o impacto sobre o crescimento econômico brasileiro deverá ser restrito, com efeito estimado entre 0,1% e 0,2% sobre o PIB ao longo do próximo ano.
A magnitude das medidas comerciais não deverá alterar significativamente a trajetória da atividade econômica. A ausência de tarifas retaliatórias pelo Brasil também tende a limitar pressões adicionais sobre os preços de importação. Com o câmbio permanecendo estável, as medidas norte-americanas não deverão modificar de forma relevante as perspectivas para a inflação ou para a condução da política monetária. A expectativa é de continuidade de um processo cauteloso de flexibilização da taxa de juros pelo Banco Central do Brasil. O espaço para negociações destinadas a reduzir de forma significativa as tarifas impostas pelos Estados Unidos é limitado.
Embora o governo brasileiro tenha avaliado a possibilidade de utilizar a Lei de Reciprocidade Econômica, representantes empresariais têm demonstrado preferência por medidas de apoio direcionadas aos setores mais afetados. No campo político, os efeitos das tarifas podem ser mais relevantes do que os impactos econômicos. A interpretação é de que o episódio comercial fortalece a posição política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao permitir que o governo enquadre as medidas norte-americanas como uma questão relacionada à soberania nacional. A análise também considera que o governo brasileiro tem associado a adoção das tarifas às articulações de integrantes ligados ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.