30/Jul/2026
O Deutsche Bank estima que um episódio de El Niño de intensidade moderada poderá reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em até 0,4% e elevar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em aproximadamente 0,25%. Os impactos econômicos tendem a ocorrer cerca de nove meses após o início do fenômeno, enquanto o efeito máximo sobre a inflação é esperado por volta de dez meses, principalmente em razão da pressão sobre os preços dos alimentos e dos custos de eletricidade. Esses efeitos tendem a ser temporários e de baixa significância estatística, refletindo tanto a intensidade normalmente moderada dos impactos climáticos associados ao El Niño quanto o número limitado de episódios históricos utilizados nas estimativas.
Os efeitos econômicos devem começar a perder intensidade aproximadamente 12 meses após o início do fenômeno. Em episódios anteriores, os impactos do El Niño sobre a economia brasileira foram relativamente limitados, em parte porque os produtores rurais conseguiram reduzir perdas por meio da formação antecipada de estoques de insumos e da maior disponibilidade de fertilizantes. Para o ciclo atual, entretanto, o ambiente apresenta maior vulnerabilidade. Apesar da recente redução nos preços dos fertilizantes, os custos permanecem elevados, enquanto o fornecimento de insumos à base de fosfato, amplamente utilizados na agricultura brasileira, continua restrito.
Esse cenário pode reduzir a capacidade de adaptação do setor agropecuário aos eventos climáticos adversos, aumentando o risco de impactos sobre a produção agrícola e, consequentemente, sobre a inflação. O principal mecanismo de transmissão do El Niño para a inflação brasileira ocorre por meio dos preços dos alimentos e da energia elétrica. A expectativa é de que a seca na Região Norte e as temperaturas mais elevadas no Centro-Sul afetem a produção agropecuária e pressionem os custos de geração de energia. Por outro lado, um regime de chuvas mais intenso na Região Sul poderá contribuir parcialmente para a manutenção dos reservatórios hidrelétricos, reduzindo parte da pressão sobre o setor elétrico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.