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30/Jul/2026

El Niño: mitigação deve prevalecer sobre alarmismo

A Rural Clima avaliou que parte das projeções e da divulgação sobre o atual episódio de El Niño tem sido marcada por interpretações excessivamente alarmistas e defendeu que o setor agropecuário concentre esforços em estratégias de mitigação e adaptação aos possíveis impactos do fenômeno. Diversas informações divulgadas por veículos de comunicação e redes sociais classificam o atual evento como o mais intenso dos últimos 140 anos ou utilizam expressões como "super El Niño" e "Godzilla dos El Niños", além de atribuírem ao fenômeno impactos extremos sem respaldo técnico. Na avaliação da Rural Clima, embora o evento apresente intensidade forte e demande atenção do setor produtivo, essas caracterizações não são sustentadas por evidências científicas. As séries históricas oficiais de dados climáticos utilizadas nas análises remontam a 1950 e são produzidas por órgãos meteorológicos dos Estados Unidos.

A ausência de registros instrumentais consistentes por períodos superiores dificulta qualquer afirmação técnica de que o atual fenômeno seja o mais intenso dos últimos 140 ou 150 anos. A expressão "super El Niño" não integra a classificação técnica dos fenômenos climáticos. A nomenclatura reconhecida considera eventos de intensidade fraca, moderada, forte ou muito forte, sem a utilização do termo amplamente difundido em parte da comunicação pública. Na avaliação da Rural Clima, o atual episódio de El Niño deverá elevar os riscos para a agropecuária, somando-se a desafios relacionados à seca, temperaturas elevadas, geadas, chuvas intensas, custos de produção e restrições de crédito. Contudo, o enfrentamento desses riscos deve ocorrer por meio de planejamento, monitoramento climático e adoção de medidas de adaptação capazes de reduzir os impactos sobre a produção.

A preparação técnica e o gerenciamento de riscos são mais relevantes para o setor produtivo do que previsões de caráter catastrófico. O conhecimento das características do fenômeno é fundamental para orientar decisões no campo. O produtor rural deve concentrar seus esforços nas decisões de manejo e não no alarmismo. A probabilidade de ocorrência do fenômeno é de 100% e de cerca de 80% de risco de que ele atinja intensidade forte, com anomalia superior a 2°C na temperatura da superfície do Oceano Pacífico. Ainda assim, o cenário não corresponde às previsões catastróficas que vêm circulando. O problema não é o El Niño. O problema é o que fazer com essa informação, quais decisões serão tomadas na lavoura e quais tecnologias serão usadas. A Rural Clima contestou projeções que apontam um aquecimento de até 4,5°C no Oceano Pacífico, ressaltando que esse resultado decorre de rodadas isoladas de modelos climáticos.

Análises estatísticas baseadas em diversos modelos indicam um El Niño de forte intensidade, com aquecimento entre 2,5°C e 3°C. Para embasar as projeções, a Rural Clima comparou a evolução da temperatura do Pacífico registrada entre janeiro e julho deste ano com os 28 episódios de El Niño documentados desde meados do século passado. Os anos de 1997/98 apareceram como o principal análogo climático, seguidos por 2023/24 e, em terceiro lugar, 1982/83. O evento de 2015/16, frequentemente citado nas comparações, não apresentou similaridade estatística com o cenário atual. Haverá um El Niño forte, mas não será um evento apocalíptico. O foco deve estar na adaptação e no manejo da lavoura. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.