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31/Jul/2026

El Niño: mercado monitora impactos sobre produção

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas no Rio Grande do Sul ampliaram o monitoramento do mercado em relação aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção agropecuária e a inflação de alimentos. Embora o fenômeno já provoque alterações climáticas em diferentes regiões do País, a avaliação predominante entre analistas é de que os efeitos permanecem, até o momento, concentrados em culturas específicas, sem caracterizar um quadro de choque generalizado de oferta. As análises indicam que os primeiros efeitos do El Niño favoreceram a aceleração da maturação de hortifrutícolas em parte da Região Sudeste, contribuindo para maior oferta e acomodação dos preços de alguns produtos in natura durante maio e junho.

Por outro lado, a persistência de temperaturas elevadas e de períodos de estiagem em regiões do Centro-Oeste e de Minas Gerais aumenta o risco para culturas como café, cana-de-açúcar e pastagens, além de manter elevada a atenção sobre o desenvolvimento da próxima safra de soja. Em relação à soja, o risco ainda depende da evolução das condições climáticas durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras. Levantamentos históricos apontam que episódios de El Niño frequentemente estiveram associados a perdas de produtividade em Mato Grosso, enquanto, para o café arábica, a correlação entre eventos climáticos e redução da produção é ainda mais elevada. No Rio Grande do Sul, as maiores preocupações concentram-se sobre o trigo.

O excesso de chuvas pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos, dependendo da intensidade e da duração das precipitações durante as fases críticas da cultura. Também permanece no radar o potencial impacto sobre o arroz irrigado, embora os efeitos ainda dependam da evolução das condições meteorológicas ao longo do ciclo produtivo. Dados preliminares de cooperativas do Rio Grande do Sul indicam a ocorrência de danos pontuais em lavouras de trigo provocados por granizo em algumas regiões do Estado, sem que haja, até o momento, evidências de perdas generalizadas. Instituições financeiras destacam que os indicadores recentes de inflação, como o IPCA de junho e o IPCA-15 de julho, ainda não refletem impactos relevantes do El Niño sobre os preços dos alimentos.

Entretanto, modelos econômicos que incorporam variáveis climáticas apontam potencial de pressão inflacionária nos próximos meses, especialmente caso temperaturas elevadas persistam e afetem culturas de maior peso na formação dos índices de preços. As estimativas atuais indicam impacto moderado sobre a inflação de alimentos em 2026 e 2027, refletindo a incerteza quanto à intensidade do fenômeno e o fato de que parte importante das safras de verão ainda será implantada. A avaliação predominante é de que, na ausência de repetição do El Niño em anos consecutivos, os efeitos tendem a ser pontuais, diferentemente do cenário observado em 2014, quando um episódio de forte intensidade contribuiu para uma elevação mais expressiva da inflação dos alimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.