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03/Aug/2026

Agro lidera geração de receitas no cooperativismo

Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (Sistema OCB), as cooperativas brasileiras devem alcançar R$ 1 trilhão em receita até o final de 2028, o que representa crescimento de 18% em relação aos R$ 848 bilhões registrados em 2025. Os dados constam do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, que também aponta que o faturamento do setor já havia avançado 12% na comparação com 2024. Em 2025, o cooperativismo brasileiro reuniu 29 milhões de cooperados e 4,4 mil cooperativas em atividade, distribuídas por 3.425 municípios. Do total de cooperativas existentes, 28,5% pertencem ao ramo agropecuário, segmento responsável pela maior parcela da receita do sistema, com R$ 487,3 bilhões, equivalentes a 57,4% do faturamento total das cooperativas no País. Apesar da predominância do agro na geração de receitas, aproximadamente 80% dos cooperados estão vinculados às cooperativas de crédito.

No segmento financeiro, o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, elaborado pelo Banco Central, indica aumento do risco da carteira de crédito ao longo de 2025. A participação dos ativos problemáticos retomou a trajetória de crescimento iniciada em 2022 e alcançou 8,3% da carteira em agosto de 2025, recuando posteriormente para 7,8% ao final do ano. O Sistema OCB destaca, entretanto, que os indicadores de inadimplência das cooperativas de crédito permanecem inferiores aos observados nas instituições financeiras convencionais. A entidade atribui esse desempenho ao relacionamento mais próximo entre cooperativas e cooperados, fator que contribui para maior acompanhamento das operações de crédito e fortalecimento da responsabilidade financeira entre as partes.

Em relação às tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a OCB informa que segue monitorando os impactos sobre o cooperativismo, mas considera prematuro mensurar efeitos concretos. A entidade observa que parte dos produtos de interesse das cooperativas foi incluída na lista de exceções, entre eles o café, reduzindo parcialmente os efeitos da medida sobre determinados segmentos exportadores. Como estratégia para mitigar eventuais impactos das restrições comerciais, a manutenção do diálogo entre Brasil e Estados Unidos permanece relevante, ao mesmo tempo em que defende a ampliação da diversificação dos mercados de destino das exportações brasileiras por meio de iniciativas conjuntas entre os setores público e privado.

Em 2025, as cooperativas agropecuárias brasileiras movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025, alta de 11,2% em relação a 2024, mantendo a liderança entre os sete ramos do cooperativismo nacional. O valor corresponde a 57,4% de toda a receita gerada pelo cooperativismo brasileiro. O segmento também registrou o maior número de novas cooperativas constituídas no País ao longo do período. O ramo agropecuário reúne 1.254 cooperativas, congregando 1,13 milhão de cooperados e gerando 277.224 empregos diretos, consolidando-se como o maior empregador do sistema cooperativista nacional. Os ativos do segmento totalizaram R$ 340,1 bilhões, enquanto as sobras distribuídas aos cooperados alcançaram R$ 29,3 bilhões.

O capital social somou R$ 23,3 bilhões e os desembolsos com salários e benefícios ultrapassaram R$ 15,8 bilhões. No comércio exterior, as cooperativas agropecuárias exportaram US$ 17,4 bilhões em 2025, equivalentes a 10,3% das exportações do agronegócio brasileiro. Os embarques foram realizados por 140 cooperativas exportadoras. Os principais produtos exportados foram café não torrado, com US$ 3,1 bilhões, carne de aves, com US$ 2,2 bilhões, soja triturada, com US$ 1 bilhão, carne suína, também com US$ 1 bilhão, e óleo de soja, com US$ 677 milhões. Os principais mercados de destino foram China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos, com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

O anuário também evidencia a relevância das cooperativas para a produção agropecuária brasileira. O segmento responde por 53% da produção nacional de grãos, concentra 25% da capacidade de armazenagem do País e disponibiliza mais de 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural aos cooperados, contribuindo para a difusão de tecnologias, aumento da produtividade e fortalecimento da competitividade do agronegócio. A atuação das cooperativas abrange toda a cadeia produtiva, oferecendo aos produtores rurais acesso a insumos, assistência técnica, armazenagem, industrialização e comercialização da produção.

As operações concentram-se principalmente em produtos vegetais não industrializados, que representam 48,7% das atividades, seguidos pelos segmentos de insumos e bens de fornecimento (45,1%), produtos vegetais industrializados (36,2%), serviços (29,6%), produtos industrializados de origem animal (29,1%) e produtos não industrializados de origem animal (19,1%). Como uma mesma cooperativa pode atuar em mais de um segmento, a soma dos percentuais supera 100%. Na área de crédito rural, as cooperativas agropecuárias contrataram R$ 51,55 bilhões em financiamentos em 2025. Desse total, R$ 26,5 bilhões foram destinados à comercialização, correspondendo a 51,4% dos recursos. O custeio recebeu R$ 10,5 bilhões, a industrialização R$ 9,5 bilhões e os investimentos R$ 5,05 bilhões.

O levantamento também aponta que as cooperativas de crédito já respondem por 22% da carteira nacional de crédito rural, ampliando sua participação no financiamento da atividade agropecuária. O estudo evidencia ainda a integração entre os diferentes ramos do cooperativismo. Cerca de 64,9% das cooperativas agropecuárias mantiveram operações com cooperativas de crédito, enquanto 25% realizaram negócios com cooperativas de saúde. Também foram registradas parcerias com cooperativas de transporte, em 12,8% dos casos, e com cooperativas de trabalho, em 7,6%.

O cooperativismo agropecuário enfrentou em 2025 um ambiente marcado por incertezas macroeconômicas, geopolíticas e climáticas, além da elevação dos custos dos insumos e das taxas de juros. Ainda assim, as cooperativas mantiveram seu papel de apoio aos produtores rurais, contribuindo para reduzir os impactos sobre a atividade, preservar a continuidade da produção, gerar empregos, distribuir resultados aos cooperados e promover o desenvolvimento regional. A perspectiva de uma safra recorde em 2025/26 tende a ampliar a atuação das cooperativas em áreas como infraestrutura, logística e agregação de valor à produção, reforçando sua importância para a competitividade do agronegócio brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.