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04/Aug/2026

Seguro Rural: relevância diante de mudanças climáticas

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que o fortalecimento do seguro rural tornou-se prioridade diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos e da perspectiva de um episódio intenso de El Niño na safra 2026/27. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) atravessa um processo de enfraquecimento justamente em um momento de maior necessidade de proteção da atividade agropecuária, tornando necessária uma reformulação estrutural da política pública. O seguro rural deve ser tratado como uma política permanente de Estado, baseada em planejamento de longo prazo, desenvolvimento de produtos específicos para diferentes cadeias produtivas e regiões, além de mecanismos que ampliem a participação das seguradoras e dos produtores. A subvenção governamental ao prêmio do seguro desempenha papel fundamental na fase de consolidação do mercado, contribuindo para reduzir o custo das apólices, estimular a adesão dos produtores e permitir o desenvolvimento gradual de um sistema mais autossustentável.

A preocupação da CNA aumentou após o lançamento do Plano Safra 2026/27 sem a definição de recursos destinados ao PSR. Diferentemente de exercícios anteriores, o tema passou a ser discutido separadamente no grupo de trabalho criado para elaborar medidas de mitigação dos impactos do El Niño. O Ministério da Agricultura atribuiu essa decisão às restrições fiscais enfrentadas pelo governo federal. A redução dos recursos destinados ao programa ocorreu justamente quando as previsões climáticas indicam aumento dos riscos para a próxima safra. A O PSR alcançou seu maior nível de cobertura em 2021, quando aproximadamente 14 milhões de hectares estavam segurados. Desde então, a área protegida apresentou redução contínua, passando para cerca de 3,5 milhões de hectares em 2025 e alcançando aproximadamente 700 mil hectares no primeiro semestre de 2026. A fragilidade do seguro rural extrapola a proteção individual do produtor e pode influenciar diretamente as decisões de investimento e plantio.

A combinação entre custos elevados de produção, preços ainda incertos das commodities e maior risco climático tende a elevar a cautela dos agricultores, podendo resultar em redução de área cultivada e da produção em determinadas culturas. Uma eventual retração da produção agrícola poderá gerar impactos sobre o abastecimento interno e contribuir para pressões inflacionárias nos próximos períodos, reforçando a necessidade de adoção de instrumentos preventivos antes do início do plantio. Como alternativa para fortalecer o sistema, a entidade apoia o projeto de lei apresentado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), que propõe a reestruturação do seguro rural brasileiro. Entre as medidas previstas está a criação de um fundo de catástrofe destinado a absorver parte das perdas provocadas por eventos climáticos extremos, reduzindo a exposição financeira das seguradoras e ampliando a oferta de cobertura aos produtores. O projeto também prevê mecanismos para proteger os recursos destinados ao seguro rural contra contingenciamentos orçamentários, aumentando a previsibilidade da política pública e favorecendo sua continuidade ao longo dos anos.

Outra proposta considerada estratégica é a criação de uma central nacional de inteligência climática e de dados, responsável por reunir informações regionalizadas sobre riscos meteorológicos, produtividade e histórico de perdas. A expectativa é que a consolidação dessa base de informações permita aperfeiçoar a precificação dos riscos e desenvolver produtos mais adequados às características de cada cadeia produtiva e de cada região. Um dos principais desafios atuais do seguro rural brasileiro é a utilização de modelos padronizados para diferentes sistemas produtivos. Regiões sujeitas a estiagens prolongadas, por exemplo, demandam coberturas distintas das utilizadas em áreas onde predominam riscos de geadas, enquanto segmentos como a pecuária ainda apresentam baixa participação no mercado de seguros. O aperfeiçoamento das apólices, aliado à ampliação da subvenção pública e ao fortalecimento da base de informações climáticas, constitui condição essencial para ampliar a cobertura do seguro rural e reduzir a exposição da agropecuária brasileira aos riscos decorrentes das mudanças climáticas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.