26/Aug/2026
Segundo o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo (Faesp/Senar-SP), os produtores rurais precisam de prazo para reorganizar suas dívidas e recuperar a capacidade de financiar o plantio. Os juros elevados e a inflação reduziram a rentabilidade da atividade agropecuária e agravaram a situação financeira dos produtores. O custo efetivo do crédito contratado pelos produtores pode alcançar 22% ao ano. Em um cenário no qual determinadas taxas anunciadas em 14% resultam em custo efetivo de até 22% na contratação bancária, a rentabilidade da produção fica comprometida e dificulta a capacidade de pagamento das dívidas e de obtenção de novos recursos para o plantio.
Nesse contexto, a ampliação dos prazos para pagamento das obrigações financeiras dos produtores. A medida permitiria reorganizar o passivo, recuperar a capacidade financeira e liberar recursos para a retomada dos investimentos e do custeio das atividades agrícolas. A recuperação financeira do produtor também deve ser acompanhada por medidas destinadas ao aumento da produtividade. Nesse sentido, o Sistema CNA/Senar oferece assistência técnica e gerencial, com acompanhamento de agrônomos e veterinários nas propriedades, abrangendo pequenos, médios e grandes produtores. A elevação da eficiência produtiva é considerada um instrumento para melhorar a geração de renda e fortalecer a capacidade de pagamento do setor.
As políticas públicas para o agronegócio deveriam ser formuladas com horizonte de longo prazo (de 30 a 40 anos), com definição de estratégias para o desenvolvimento econômico e produtivo do País. Nesse contexto, juros elevados e restrições ao crédito não deveriam impedir a participação dos produtores rurais em uma estratégia nacional de desenvolvimento de longo prazo. Destaque para a relevância do agronegócio para a economia e para as exportações brasileiras. É necessário enfrentar as barreiras que limitam o acesso dos produtos nacionais aos mercados internacionais. A estratégia para o setor deve conciliar competitividade, acesso ao crédito e reconhecimento do papel dos produtores rurais na preservação ambiental.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio brasileiro, que durante anos apresentou desempenho mais favorável do que outros setores da economia, também passou a enfrentar uma crise de endividamento. O cenário reforça a necessidade de colocar crescimento econômico, geração de empregos e responsabilidade fiscal no centro do debate eleitoral de 2026. A deterioração financeira do setor é atribuída ao ambiente econômico mais amplo, marcado pelo crescimento da dívida pública, juros elevados e maior dificuldade financeira para empresas e famílias.
O cenário ocorre apesar do elevado potencial econômico do Brasil e evidencia o contraste entre a capacidade de geração de riqueza do País e a renda efetivamente disponível para parcela expressiva da população. Estudos recentes indicam que 70% da população empregada recebe até dois salários-mínimos e cerca de 30 milhões de famílias dependem de transferências de renda do Estado para sua subsistência. Esses indicadores demonstram a necessidade de ampliar o debate sobre crescimento econômico, geração de renda e sustentabilidade das contas públicas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.