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28/Aug/2026

Brasil subutiliza potencial de comércio com os EUA

O Brasil está subutilizando seu potencial comercial com os Estados Unidos em um momento de crescente antagonismo entre Estados Unidos e China. A avaliação é do economista e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco do Brics, Marcos Troyjo, para quem, apesar do momento desfavorável na relação política entre Brasil e Estados Unidos, o tamanho do mercado norte-americano representa uma oportunidade ainda pouco explorada pelo País. Os Estados Unidos continuam sendo uma potência econômica e um dos maiores mercados consumidores do mundo, apesar do avanço do protecionismo durante os governos de Donald Trump. As importações norte-americanas equivalem a cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que representa entre US$ 3,6 trilhões e US$ 3,9 trilhões por ano.

Nesse cenário, o Brasil deve evitar escolher entre Estados Unidos e China diante do que Troyjo classificou como uma Guerra Fria 2.0 entre as duas maiores potências econômicas. O economista defende uma postura pragmática na relação com os dois países, independentemente da alternância de governos e das diferenças ideológicas, mantendo simultaneamente relações comerciais com Estados Unidos e China. Apesar do potencial econômico, a relação política entre Brasil e Estados Unidos atravessa um momento desfavorável, e uma melhora dependeria de uma nova repactuação política entre os dois países. O cenário bilateral também pode se deteriorar dependendo dos resultados das eleições nos dois países. Neste momento, é difícil identificar um candidato democrata competitivo para suceder a Donald Trump em 2028 e que, nesse contexto, o próximo presidente dos Estados Unidos pode novamente ser do Partido Republicano.

Entre os nomes que despontam no Partido Republicano, o atual vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Para Troyjo, uma eventual combinação de governos de perfis políticos mais distantes no Brasil e nos Estados Unidos poderia dificultar ainda mais a relação bilateral. Troyjo também identifica um movimento de deslocamento político à direita em diversos países da América Latina, com destaque para Argentina, Colômbia, Chile e Bolívia. Os resultados eleitorais recentes estão menos relacionados a uma mudança puramente ideológica e mais a uma reação dos eleitores ao desempenho dos governos anteriores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.