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02/Sep/2026

Governo está otimista sobre negociação com EUA

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, avaliou como positiva a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros. O ministro tratou do tema por telefone com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em conjunto com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A retomada do diálogo ocorreu após o telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo a avaliação do governo brasileiro, abriu espaço para uma negociação destinada a reequilibrar a relação comercial e a política tarifária entre os dois países.

As equipes técnicas dos dois governos deverão voltar a se reunir nos próximos dias ou na próxima semana. A programação prevê reuniões virtuais e, eventualmente, encontros presenciais no final do mês ou posteriormente. O governo brasileiro sinalizou disposição para avançar nas tratativas, mas mantém a posição de que as tarifas impostas em julho são indevidas, injustas e descabidas. Na reunião, também foi abordada a questão do desmatamento. O governo brasileiro ressaltou que o Brasil vem registrando quedas significativas no desmatamento ilegal ano a ano. O tema integra o conjunto de questões discutidas no processo de negociação comercial entre os dois países.

Outro ponto tratado foi o Pix, considerado pelo governo brasileiro um patrimônio nacional. A posição apresentada nas negociações é de que não existe possibilidade de discussão sobre o funcionamento do sistema de pagamentos, mantendo-se o entendimento de que essa questão não será objeto de concessões. A avaliação do governo brasileiro é de que houve consenso positivo na retomada das conversas. Também foi ressaltado que não procede a avaliação de que as tarifas praticadas pelo Brasil sejam atualmente superiores às aplicadas pelos Estados Unidos. Com a aplicação de uma tarifa de 37,5% sobre produtos brasileiros, o entendimento é de que houve ampliação do desequilíbrio comercial em favor dos Estados Unidos, de modo que eventuais concessões brasileiras poderiam aumentar o déficit para o Brasil.

Nesse contexto, as negociações passam a ocorrer em um novo cenário e sobre novas bases, com compromisso político reiterado pelos governos brasileiro e norte-americano de buscar um acordo. O objetivo brasileiro é restabelecer uma relação comercial equilibrada e mutuamente benéfica, considerando as novas condições estabelecidas pela política tarifária dos Estados Unidos. O governo brasileiro também sinalizou que não é de interesse do País uma retração da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira. Ao longo de dois séculos, os Estados Unidos foram o principal parceiro comercial do Brasil, e o governo brasileiro pretende preservar e ampliar essa relação.

Para isso, considera necessário que qualquer acordo produza equilíbrio e benefícios recíprocos entre os dois países. O Brasil também mantém a posição de que nenhuma medida capaz de prejudicar os interesses nacionais será negociada ou colocada à mesa. A orientação é retirar das discussões questões consideradas externas ao âmbito comercial e que não deveriam integrar as negociações, estabelecendo uma agenda concentrada na recomposição da relação comercial e tarifária entre Brasil e Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.