02/Sep/2026
Os preços das principais commodities agrícolas registraram em agosto a maior alta mensal em mais de uma década, impulsionados pela combinação de conflitos geopolíticos e eventos climáticos extremos. O movimento voltou a elevar as preocupações com a inflação de alimentos. O índice Bloomberg Agriculture Spot, que acompanha dez dos principais produtos agrícolas, avançou cerca de 13% no mês, a maior alta mensal desde julho de 2012. O trigo foi o principal vetor de valorização, alcançando o maior nível em três anos. A alta ocorreu em meio aos frequentes ataques contra embarcações e portos no Mar Negro, que reduziram o fluxo de exportações da Rússia e da Ucrânia.
Os dois países respondem por mais de 25% dos embarques globais de trigo, de modo que as interrupções no transporte marítimo ampliaram os riscos sobre a oferta internacional do cereal. Além dos grãos, açúcar e cacau acumularam ganhos superiores a 20% em agosto, refletindo preocupações com o fortalecimento do fenômeno climático El Niño. A possibilidade de impactos sobre a produção agrícola em importantes regiões produtoras elevou a percepção de risco sobre a oferta e contribuiu para a valorização das commodities. No mercado futuro de açúcar na Bolsa de Nova York, a alta mensal foi a maior desde 2010. O movimento foi sustentado pelos baixos estoques na Índia, em um período de pico de demanda associado às festividades no país asiático, aumentando a pressão sobre a disponibilidade do produto. O algodão também registrou valorização e alcançou o maior nível em quase dois anos e meio.
A alta foi favorecida pelo avanço dos preços do petróleo, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, o que elevou a competitividade da fibra natural em relação às fibras sintéticas. O desempenho conjunto das commodities agrícolas em agosto refletiu, assim, a combinação de restrições logísticas provocadas por conflitos geopolíticos, riscos climáticos e condições específicas de oferta e demanda em importantes mercados produtores e consumidores. A confluência desses fatores elevou os preços agrícolas e reforçou os riscos de pressão sobre os custos dos alimentos no mercado internacional. Fonte: Bloomberg. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.