03/Sep/2026
A economia brasileira deve continuar desacelerando nos próximos trimestres, diante da expectativa de manutenção dos juros em patamares elevados. Analistas projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro e do quarto trimestres de 2026 apresente resultados próximos da estabilidade, refletindo o enfraquecimento das condições financeiras e a menor capacidade de sustentação do consumo das famílias. A combinação entre estímulos fiscais e aperto monetário tem limitado os efeitos das medidas adotadas pelo governo para sustentar a atividade econômica. Mesmo sem elevação da Selic no primeiro semestre, as condições financeiras se deterioraram, enquanto a política fiscal continuou estimulando a demanda, aumentando a necessidade de atuação restritiva da política monetária. O nível elevado dos juros tem contribuído para o aumento do endividamento das famílias e ocorre em um ambiente de frequência elevada de pedidos de recuperação judicial de empresas. Levantamento da Tendências Consultoria mostra que a renda disponível das famílias para consumo, após a dedução dos gastos essenciais e dos pagamentos relacionados a empréstimos e financiamentos, está próxima dos níveis mais baixos desde o início da série histórica, em 2011.
Nesse cenário, o impacto de medidas anunciadas pelo governo nos últimos meses tende a ser limitado. Entre as iniciativas estão a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil, além de medidas de crédito e subvenções destinadas a estimular a economia em um cenário eleitoral de elevada disputa. A deterioração das condições financeiras, contudo, reduz parte do efeito desses estímulos sobre a demanda. A trajetória esperada para os próximos trimestres também segue um padrão observado nos últimos anos, com desempenho mais forte no primeiro semestre e desaceleração na segunda metade do ano. Entre os fatores que tradicionalmente favorecem a primeira metade do exercício estão a concentração da atividade agropecuária nos primeiros três meses, os reajustes do salário-mínimo e a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As projeções atuais indicam crescimento do PIB brasileiro ligeiramente inferior a 2% em 2026, abaixo da expansão de 2,3% registrada em 2025. No início do ano, as expectativas apontavam para crescimento superior a 2%, mas a desaceleração observada na atividade e a perda de dinamismo do consumo reduziram a perspectiva para o desempenho anual.
O cenário econômico também permanece condicionado a importantes incertezas. Entre os principais fatores estão o resultado das eleições e as medidas que o próximo governo poderá adotar para as contas públicas, em um contexto de elevado endividamento do País; a intensidade do fenômeno climático El Niño e seus impactos sobre a economia; e a evolução do ambiente externo, incluindo os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda projeta continuidade da desaceleração do PIB no terceiro trimestre, seguida de retomada gradual no quarto trimestre. A secretaria também identifica viés de baixa em sua projeção de crescimento de 2,3% para 2026. A avaliação considera que a dissipação dos efeitos das políticas públicas deverá ser parcialmente compensada pela redução do custo do crédito. Para o quarto trimestre, a expectativa é de recuperação gradual, à medida que os componentes mais cíclicos da atividade respondam à flexibilização monetária em curso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.