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03/Sep/2026

Clima: meta do Acordo de Paris não será cumprida

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) reconhece que a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, não deverá ser cumprida no curto prazo. Diante da perspectiva de ultrapassagem desse limite, a organização propõe uma estratégia voltada ao gerenciamento do chamado overshoot, com medidas para lidar temporariamente com um aquecimento superior a 1,5°C e buscar a reversão desse aumento até o fim do século 21. As conclusões constam do relatório Limiting Overshoot. O documento reforça que a ultrapassagem de 1,5°C deverá provocar impactos relevantes sobre ecossistemas e comunidades vulneráveis. Ao mesmo tempo, destaca a urgência de manter o pico do aquecimento abaixo de 2°C, condição considerada necessária para ampliar as possibilidades de retorno a níveis mais estáveis de temperatura.

As projeções da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), já apontavam para a continuidade de temperaturas globais próximas de níveis recordes até 2030. A Atualização Climática Global Anual e Decenal previa que a temperatura média global próxima à superfície, calculada para cada ano entre 2025 e 2029, ficaria entre 1,2°C e 1,9°C acima da média observada entre 1850 e 1900. Segundo a projeção, havia 80% de probabilidade de pelo menos um dos anos entre 2025 e 2029 superar 2024 como o ano mais quente já registrado e 86% de chance de pelo menos um desses anos apresentar temperatura superior em mais de 1,5°C ao nível pré-industrial. O relatório não apresentava previsões globais individualizadas para cada ano.

A perspectiva climática também se tornou mais preocupante diante da confirmação de um El Niño provavelmente muito forte em 2026, cujos efeitos mais intensos sobre a temperatura global devem ser observados principalmente em 2027. A prioridade central continua sendo a redução profunda das emissões de dióxido de carbono (CO2), metano e outros gases de efeito estufa. O PNUMA alerta que, caso o aquecimento global ultrapasse 1,8°C, a possibilidade de retornar a um aumento de 1,5°C ainda neste século se tornará exponencialmente mais complexa e incerta. Nesse contexto, a Remoção de Dióxido de Carbono é considerada uma ferramenta complementar para a redução das emissões. As estratégias incluem métodos convencionais, como o reflorestamento, e tecnologias mais recentes, como a captura direta de carbono do ar e a bioenergia com captura de carbono. Essas alternativas, contudo, não devem substituir a descarbonização direta das atividades econômicas.

O aquecimento global também reduz a capacidade dos ecossistemas terrestres e marinhos de absorver e armazenar carbono, criando um mecanismo de retroalimentação negativa que pode ampliar os efeitos das mudanças climáticas. O PNUMA destaca ainda que mesmo os cenários mais favoráveis exigirão investimentos elevados em adaptação. Estratégias de adaptação frágeis ou desalinhadas podem resultar em respostas ineficientes e ampliar desigualdades sociais e econômicas. A ultrapassagem temporária da meta de 1,5°C não elimina a necessidade de manter a agenda de redução de emissões. O cenário exige mecanismos de governança capazes de limitar danos potencialmente irreversíveis, incluindo o derretimento de gelo polar e a elevação do nível do mar, além de medidas que assegurem uma transição para a neutralidade de emissões com menor impacto social e econômico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.