03/Sep/2026
Segundo relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C de aquecimento médio global pode gerar consequências severas para a segurança alimentar e o agronegócio, com projeção de recuo de até 14% na produção mundial de alimentos até 2050 caso não sejam adotadas medidas eficazes de adaptação. O estudo aponta que a elevação das temperaturas, combinada à intensificação das secas e de eventos climáticos extremos, tende a prejudicar as safras agrícolas em diferentes regiões do mundo. No Brasil, o relatório destaca a vulnerabilidade do bioma amazônico a queimadas e ao desmatamento.
Esses fatores ampliam o risco de alterações no regime de chuvas, com impactos sobre o abastecimento hídrico e a produtividade agrícola em diversas regiões produtoras do País. Outra preocupação central é a competição pelo uso do solo. A necessidade de recorrer a técnicas de Remoção de Dióxido de Carbono (CDR), incluindo o reflorestamento em larga escala e o cultivo de matérias-primas para bioenergia com captura de carbono, para reduzir novamente as temperaturas pode ampliar a disputa por áreas destinadas a lavouras e pastagens. Sem mecanismos rigorosos de governança, esse processo pode elevar os custos de produção no campo e pressionar os preços dos alimentos ao consumidor.
A expansão de áreas destinadas à remoção de carbono, portanto, poderá gerar efeitos sobre a disponibilidade de terras agrícolas e sobre a estrutura de custos do setor agropecuário. O setor agrícola terá papel estratégico no combate ao aquecimento global. Além da redução gradual do uso de combustíveis fósseis, a diminuição das emissões de metano provenientes da pecuária e do manejo de resíduos é considerada uma medida indispensável para limitar o pico de temperatura e reduzir o período em que o planeta permanecerá acima do limite de 1,5°C. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.