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03/Sep/2026

Dólar em baixa com disputa presidencial acirrada

O dólar registrou o terceiro pregão consecutivo de queda firme ante o Real e encerrou a sessão desta quarta-feira (02/09) nos menores níveis desde o início de agosto, mesmo com o desempenho negativo da maioria das divisas latino-americanas. A redução dos prêmios de risco dos ativos domésticos, associada à possibilidade de vitória da oposição na corrida presidencial, contribuiu para a valorização da moeda brasileira. A pesquisa Quaest reforçou a percepção de uma disputa acirrada pela Presidência da República. O levantamento apontou empate técnico em eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro, com 41%. As informações sobre a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes também foram consideradas no ambiente político acompanhado pelos mercados.

O dólar apresentou apenas uma alta pontual, antes da divulgação da pesquisa, e passou a operar em queda durante o restante da sessão. A moeda norte-americana atingiu mínima de R$ 5,09 e encerrou o pregão com baixa de 0,92%, a R$ 5,10, menor valor de fechamento desde 7 de agosto. O Real apresentou o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, atrás apenas do won sul-coreano. Após valorização de 2,16% em agosto, o dólar acumula queda de 1,38% nos dois primeiros pregões de setembro. O ambiente político doméstico também foi influenciado por investigações envolvendo o governo. Avaliações de mercado consideram que as investigações relacionadas à ligação de Lulinha, filho do presidente Lula, com uma lobista, e as revelações sobre a proximidade entre Vorcaro e Alexandre de Moraes podem aumentar o desgaste político do governo. Nesse cenário, a valorização do Real é associada à percepção de maior probabilidade de mudança na condução da política econômica, principalmente na área fiscal, a partir de 2027, caso a oposição vença a eleição presidencial.

O petróleo também contribuiu para a sustentação do Real. Os preços da commodity avançaram diante das incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, que, segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria sob controle total dos Estados Unidos. O contrato do Brent para novembro subiu 1,04%, para US$ 95,63 por barril. O movimento de alta do petróleo, combinado com fluxo de investidores estrangeiros para ativos domésticos, favoreceu o Real mesmo em um ambiente internacional de menor apetite por risco. A redução da volatilidade também tende a estimular operações de carry trade. No exterior, o índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou em leve queda, próximo de 99,500 pontos. O movimento foi influenciado principalmente pela valorização de quase 0,90% do iene, após declaração de dirigente do Banco do Japão sinalizando a possibilidade de elevação dos juros.

Nos Estados Unidos, o relatório ADP mostrou a criação de 38 mil vagas no setor privado em agosto, o ritmo mais fraco desde janeiro e abaixo da estimativa de 46,5 mil postos. A divulgação do Livro Bege teve pouca repercussão nos mercados. Os investidores aguardam o relatório oficial de emprego, o payroll de agosto, previsto para sexta-feira (04/09), para recalibrar as apostas sobre a possibilidade de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda neste mês. As expectativas de aperto monetário nos Estados Unidos ganharam força após o tom considerado duro do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, durante o Simpósio de Jackson Hole na semana passada. Diante da sinalização de Warsh, mesmo indicadores fracos do mercado de trabalho podem não ser suficientes para afastar a possibilidade de elevação dos juros pelo Fed. A participação do diretor do Fed Christopher Waller em evento previsto para esta quinta-feira (03/090, também é acompanhada pelo mercado em busca de indicações sobre a trajetória da política monetária norte-americana. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.