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04/Sep/2026

Tarifas dos EUA sobre a China beneficiam Vietnã

O Vietnã se beneficiou das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos chineses por reunir vantagens competitivas que o posicionam de forma estratégica na nova configuração das cadeias globais, entre elas a proximidade geográfica da China, o custo competitivo da mão de obra, a ampla rede de acordos comerciais e a capacidade de absorver etapas finais de montagem. A capacidade de realizar etapas finais de montagem é particularmente relevante para explicar por que as estatísticas de origem das mercadorias podem mudar mais rapidamente do que as próprias cadeias produtivas. Os investimentos chineses em manufatura no Sudeste Asiático vêm crescendo há anos, em resposta às tarifas norte-americanas e ao aumento dos custos de produção na China, movimento identificado em análise do Federal Reserve de Dallas. Nesse contexto, parte dos produtos que ingressam nos Estados Unidos como mercadorias de origem vietnamita pode continuar mantendo vínculos com a cadeia produtiva chinesa por meio de insumos, tecnologia, capital ou controle empresarial.

A mudança na origem declarada, portanto, não necessariamente representa uma ruptura efetiva com a estrutura produtiva anteriormente concentrada na China. O redirecionamento das cadeias não se limita ao Sudeste Asiático. O México também ampliou sua participação nas importações norte-americanas e atualmente é o maior fornecedor individual dos Estados Unidos, com participação de 16,34%, ante 10,94% no início dos anos 2000. A presença de empresas chinesas no México também aumentou, especialmente em autopeças e em novos projetos industriais. O movimento reproduz, na fronteira sul dos Estados Unidos, um padrão semelhante ao observado no Vietnã, com a realocação de etapas produtivas e o surgimento de novos intermediários destinados a atender ao mercado norte-americano. A consequência desse processo é a perspectiva de prolongamento das disputas comerciais. Enquanto as tarifas estiverem vinculadas principalmente à origem declarada dos produtos, e não ao conteúdo efetivo das cadeias produtivas, cada nova rodada de restrições tende a estimular o surgimento ou o fortalecimento de outro fornecedor relevante.

Com o aumento de sua participação no mercado norte-americano, esses novos polos passam, posteriormente, a integrar o radar político e comercial dos Estados Unidos. Taiwan também se beneficiou das tarifas norte-americanas aplicadas aos produtos chineses destinados aos Estados Unidos. Em quatro trimestres, a participação taiwanesa nas importações norte-americanas aumentou de 3,84% para 8,65%, reforçando a avaliação de que a política comercial dos Estados Unidos desloca a demanda para novos polos produtivos asiáticos sem necessariamente romper os vínculos industriais existentes com a China. O cenário indica que Vietnã, Taiwan e México podem ocupar posição cada vez mais central nos próximos capítulos da política comercial norte-americana. A adaptação das cadeias globais permite que a produção seja reorganizada entre diferentes países com relativa rapidez, fazendo com que as medidas tarifárias tendam a acompanhar, com defasagem, a transformação de um sistema produtivo internacional cada vez mais flexível e diversificado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.