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04/Sep/2026

Canadá reduzindo dependência comercial dos EUA

O superávit comercial de bens do Canadá com o mundo caiu acentuadamente em julho, para o menor nível da série, em meio à forte retração das exportações para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o país ampliou os embarques para outros mercados, indicando avanço na estratégia de diversificação comercial diante das tensões com os Estados Unidos. O Canadá registrou superávit comercial de bens de 769 milhões de dólares canadenses em julho, equivalente a cerca de US$ 555,5 milhões, segundo a Statistics Canada. Foi o quinto superávit consecutivo, mas o menor da série, após resultado revisado para cima de 4,2 bilhões de dólares canadenses em junho. Os economistas projetavam superávit de 3,25 bilhões de dólares canadenses. As exportações canadenses de bens recuaram 2,3% entre junho e julho, para 76,14 bilhões de dólares canadenses, enquanto as importações avançaram 2,2%, para 75,37 bilhões de dólares canadenses, atingindo o maior nível já registrado.

A queda das exportações foi a primeira desde janeiro e ocorreu após o recorde alcançado no mês anterior. Os embarques para os Estados Unidos caíram 6,6% em julho, a maior retração desde abril de 2025, influenciados principalmente pela redução dos preços do petróleo bruto e do ouro, que recuaram durante o mês. As importações canadenses provenientes dos Estados Unidos aumentaram 1,8%, impulsionadas pelo crescimento das compras de automóveis de passageiros e caminhões leves. Com isso, o superávit comercial de bens do Canadá com os Estados Unidos caiu para 5,91 bilhões de dólares canadenses, ante 10,28 bilhões de dólares canadenses em junho, atingindo o menor nível desde fevereiro. Em contrapartida, as exportações canadenses para países que não os Estados Unidos cresceram 7,4%, registrando o terceiro aumento consecutivo e alcançando recorde.

As importações provenientes desses mercados avançaram 2,8%. O movimento reduziu o déficit comercial do Canadá com os demais países para 5,14 bilhões de dólares canadenses, o menor desde janeiro de 2021. O governo de Mark Carney trabalha para reduzir a dependência comercial dos Estados Unidos e fortalecer a economia canadense, com a meta de dobrar as exportações destinadas a outros países na próxima década. Desde janeiro de 2025, as exportações de bens para mercados fora dos Estados Unidos aumentaram cerca de 56%, enquanto a participação dos Estados Unidos nas exportações totais caiu para aproximadamente 66%. A retração das exportações totais em julho foi liderada pelos produtos de metais e minerais e pelos produtos energéticos. Excluindo esses dois segmentos, as exportações cresceram 0,6% no mês. Após avançarem quase 16% em junho, as exportações de metais e minerais recuaram 8,5% em julho, principalmente em razão da queda dos embarques de metais preciosos.

O movimento foi influenciado pela redução das compras de ouro canadense por residentes estrangeiros, pela diminuição dos embarques para os Estados Unidos e pela queda do preço do metal precioso. As exportações de energia diminuíram 4,4% em julho, na terceira queda consecutiva, refletindo a redução das exportações de petróleo bruto em razão de preços e volumes menores. Os embarques de gás natural também recuaram de forma acentuada após aumentarem nos dois meses anteriores. Em volume, as exportações totais diminuíram 1,5% entre junho e julho, enquanto as importações cresceram 2,2%. O resultado indica que o comércio líquido exerceu efeito negativo sobre o Produto Interno Bruto (PIB) canadense no início do terceiro trimestre, em um contexto de maior volatilidade nas relações comerciais com os Estados Unidos e de novas tarifas e contramedidas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.