04/Sep/2026
O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (03/09) em leve baixa ante o Real, a R$ 5,10, acompanhando o movimento de enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior, em meio à redução das apostas de alta dos juros nos Estados Unidos em setembro. Após oscilar entre R$ 5,07 e R$ 5,11, o dólar recuou 0,08%, no quarto pregão consecutivo de queda. O Real apresentou desempenho mais moderado após figurar nos últimos dias entre as divisas de melhor desempenho no mercado global. O mercado doméstico de câmbio passa por um movimento de acomodação após a queda do dólar de R$ 5,19 para R$ 5,10 desde 28 de agosto, em meio à reconfiguração das expectativas relacionadas à corrida eleitoral. A avaliação do mercado é de que um cenário eleitoral mais acirrado aumenta a percepção de possível maior disciplina fiscal em 2027, reduzindo momentaneamente os prêmios de risco. Apesar da apreciação recente, o Real apresentou oscilação significativa ao longo da sessão.
Com a queda de 0,08%, o dólar acumula baixa de 1,77% na semana e de 1,46% nos três primeiros pregões de setembro. Em agosto, a moeda havia avançado 2,16%. O Real apresenta o segundo melhor desempenho entre as moedas de mercados emergentes neste início de setembro, atrás apenas do peso colombiano. O retorno do apetite de investidores estrangeiros por ações brasileiras nos últimos dias de agosto também contribuiu para a melhora do ambiente doméstico, após uma saída expressiva de recursos ao longo do mês. Houve melhora do sentimento em relação ao cenário eleitoral brasileiro e recuperação parcial do interesse por ativos latino-americanos. No exterior, o índice DXY, que acompanha o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, rompeu o piso de 99,000 pontos, a 98,960 pontos. O iene se valorizou mais de 2%, impulsionado pela expectativa de aumento dos juros pelo Banco do Japão (BoJ) e por rumores de intervenção cambial.
Na véspera da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll de agosto, o diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller contribuiu para reduzir as apostas em aperto monetário neste mês ao indicar possibilidade de manutenção dos juros caso os dados de inflação de agosto reforcem os sinais recentes de desaceleração dos preços. A avaliação do Goldman Sachs é de que o Federal Reserve deverá permanecer em modo de espera, embora uma elevação dos juros continue possível caso os índices de inflação ao consumidor e ao produtor superem as expectativas. O ambiente global tende a continuar oferecendo suporte às estratégias de carry trade com moedas de mercados emergentes. O Real, apesar de apresentar, ao lado do peso colombiano, um dos maiores níveis de carry entre as moedas emergentes e contar com o suporte da valorização dos preços de energia, permanece vulnerável a uma eventual alta das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos e ao aumento dos ruídos domésticos associados ao processo eleitoral. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.