08/Sep/2026
O preço médio do diesel nos Estados Unidos atingiu recorde de US$ 5,85 por galão no dia 4 de setembro, em meio aos efeitos da guerra com o Irã sobre o fluxo global de combustíveis. A alta já pressiona os custos de transporte e começa a chegar aos consumidores por meio de sobretaxas em entregas e preços mais elevados de produtos, especialmente alimentos. O diesel é amplamente utilizado no transporte de cargas, em máquinas agrícolas, barcos, trens e caminhões, de modo que o encarecimento do combustível tende a se disseminar por diferentes cadeias produtivas. Entre os segmentos mais expostos estão os alimentos perecíveis, como frutas, verduras, carnes e pescados, que demandam transporte e reposição frequentes. Segundo a associação automobilística AAA, o diesel está quase 56% mais caro do que antes do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, quando a média nacional era de cerca de US$ 3,76 por galão. A valorização do petróleo ocorreu em meio às interrupções no abastecimento do Oriente Médio, principalmente diante dos gargalos ao tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Após uma trégua nos preços provocada pelas expectativas de paz no início do verão no Hemisfério Norte, o petróleo voltou a subir com a nova escalada entre Estados Unidos e Irã. O Brent era negociado acima de US$ 95,00 por barril na sexta-feira (04/09), ante cerca de US$ 70,00 por barril antes do início da guerra. A gasolina também ficou mais cara, embora em ritmo menor. O galão da gasolina comum estava em média a US$ 4,15, ante US$ 3,20 há um ano e US$ 2,98 antes da guerra. Segundo a AAA, o combustível nunca havia superado US$ 4,00 por galão durante o feriado do Dia do Trabalho. O avanço dos combustíveis pode ampliar as dificuldades políticas dos republicanos antes das eleições de meio de mandato de novembro. Pesquisa AP-NORC realizada durante o verão do Hemisfério Norte mostrou que dois em cada três adultos norte-americanos desaprovavam a condução da economia pelo presidente Donald Trump. Apesar do recorde nominal, o diesel já atingiu níveis superiores em termos reais.
O pico de quase US$ 5,82 por galão registrado em 2022 equivaleria a cerca de US$ 6,56 por galão em valores de 2026, enquanto os US$ 4,74 por galão observados antes da crise financeira de 2008 corresponderiam atualmente a cerca de US$ 7,20 por galão. A pressão tende a aparecer inicialmente nos preços dos alimentos. Segundo a Independent Grocers Alliance, que reúne 7,5 mil supermercados, os combustíveis representam de 15% a 30% do custo total dos alimentos. Em julho, os preços dos alimentos nos supermercados norte-americanos subiram 2,7% ante igual mês do ano anterior, enquanto os pescados avançaram 7% e as frutas frescas, 4,9%. Parte do choque inicialmente é absorvida por contratos de frete já existentes e pelas margens do varejo. Com o reajuste dos contratos e a aplicação de sobretaxas de combustível, porém, uma parcela maior dos custos tende a ser transferida aos supermercados e consumidores. Empresas já começaram a repassar parte da pressão. Em abril, a Amazon implementou sobretaxa temporária de 3,5% para combustível e logística aplicada a alguns vendedores terceiros.
UPS, FedEx e o Serviço Postal dos Estados Unidos também adicionaram taxas a determinadas encomendas no início da guerra, citando o aumento dos custos de combustível. O setor de transporte consegue absorver e se adaptar ao encarecimento do diesel apenas até determinado limite, enquanto o combustível exerce impacto direto sobre praticamente todas as modalidades de transporte e sobre os produtos movimentados por elas. O choque também alcança o transporte público e a geração de energia, uma vez que ônibus, trens e geradores utilizam diesel. Em outros mercados, a pressão é ainda maior. Desde o fim de fevereiro, os preços do combustível subiram 90% na Nigéria, quase 87% na Indonésia e 77% no Líbano, segundo a Global Petrol Prices. O aumento dos derivados ocorre em um cenário de maior pressão sobre o sistema global de refino, ao mesmo tempo em que os estoques físicos diminuem. A persistência desse movimento tende a elevar ainda mais os custos de energia, transporte e logística, com efeitos sobre diferentes cadeias de produção e distribuição. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.