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09/Sep/2026

El Niño pode acelerar fusões e aquisições no Agro

As fusões e aquisições (M&A) no agronegócio brasileiro podem ganhar força na temporada marcada pelo fenômeno El Niño, diante dos potenciais impactos climáticos sobre a produção agropecuária e de um ambiente já caracterizado por juros elevados, restrições de crédito, endividamento e preços baixos de algumas commodities. A combinação desses fatores tende a ampliar a vulnerabilidade de produtores e empresas, especialmente na Região Sul do País, favorecendo um processo de reacomodação da cadeia produtiva e abrindo oportunidades de consolidação em segmentos como insumos e sucroenergético. No mercado doméstico, foram registradas R$ 3,2 bilhões em 14 operações de M&A até agosto, alta de 26% no valor movimentado.

O cenário financeiro mais restritivo e a necessidade de preservação do caixa devem contribuir para novas operações de consolidação, à medida que produtores e empresas com menor capacidade de investimento busquem alternativas para enfrentar a pressão sobre margens e liquidez. A retração dos investimentos no campo, provocada pelo aumento dos custos das lavouras e pela redução da rentabilidade, também favorece a acomodação da cadeia produtora. A tendência é de priorização das despesas operacionais, com investimentos de maior valor sendo postergados. A renovação de máquinas e equipamentos está entre os investimentos que podem ser adiados, embora a necessidade de substituição da frota permaneça e possa voltar a ganhar força com a melhora das condições financeiras.

Além dos efeitos climáticos e financeiros, a sucessão familiar deve contribuir para mudanças estruturais nas cadeias do agronegócio. Com idade média de 46 anos, o produtor brasileiro passa por um processo de renovação geracional que tende a ampliar a adoção de tecnologias e de novos modelos de governança, ao mesmo tempo em que modifica relações comerciais tradicionalmente baseadas em vínculos pessoais. A citricultura é um dos segmentos que pode passar por esse processo de transformação. Contratos anteriormente estabelecidos com maior peso das relações pessoais tendem a dar espaço a decisões com maior orientação financeira, o que pode estimular novas formas de negociação, comercialização e realização de operações de compra e venda de empresas e ativos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.