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10/Sep/2026

Dólar fecha em alta com tensões no Oriente Médio

O dólar fechou em alta de 0,44% ante o Real nesta quarta-feira (09/09), a R$ 5,11, em sessão marcada pelo acirramento das tensões no Oriente Médio e pela atenção dos investidores aos desdobramentos de uma disputa no Supremo Tribunal Federal (STF). No ano, a moeda norte-americana passou a acumular queda de 6,88%. O movimento ocorreu após o dólar ter recuado em cinco das seis sessões anteriores, período em que as cotações foram influenciadas pelo avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais mais recentes. O cenário eleitoral, contudo, permanece indefinido, com empate técnico entre Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto.

A percepção de parte do mercado de que uma eventual saída de Lula da Presidência poderia favorecer um ajuste fiscal vinha contribuindo para a valorização do Real. Nesta sessão, houve recomposição de posições em dólar após as quedas recentes. No ambiente doméstico, o mercado acompanhou a disputa envolvendo ministros do STF. Pela manhã, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, um dia após o ministro André Mendonça ter determinado seu afastamento. Leandro Almada, diretor de Inteligência da Polícia Federal que também havia sido afastado por Mendonça, foi igualmente reintegrado.

Mendonça está envolvido em uma disputa com o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito relacionado ao Banco Master. A evolução do quadro institucional permanece no radar dos investidores por seu potencial de ampliar a incerteza doméstica. No exterior, o foco voltou ao Oriente Médio. O Irã informou ter atacado dez navios no Estreito de Ormuz, após os Estados Unidos afundarem cinco petroleiros iranianos. O presidente norte-americano, Donald Trump, avaliou que a guerra com o Irã deverá se prolongar até depois das eleições norte-americanas de novembro, sob a avaliação de que o Irã estaria tentando influenciar o processo eleitoral.

A intensificação do conflito elevou o petróleo Brent para acima de US$ 100,00 por barril e impulsionou os rendimentos dos Treasuries, em meio às preocupações com os efeitos inflacionários da guerra. O movimento fortaleceu o dólar também ante outras moedas de países emergentes, como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso chileno. A alta do petróleo amplia o risco de pressão inflacionária global justamente antes de decisões de política monetária na zona do euro, no Japão e nos Estados Unidos. O movimento de alta do dólar no Brasil também incorporou um ajuste técnico após a forte valorização recente do Real.

A proximidade das eleições brasileiras permanece como fonte de incerteza para os investidores e contribuiu para limitar uma apreciação mais intensa da moeda norte-americana. No mercado cambial doméstico, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro, sem impacto relevante sobre as cotações. A autoridade monetária informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$ 6,693 bilhões em setembro até o dia 4. No exterior, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana ante uma cesta de seis divisas, subia 0,05%, a 98,829. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.