11/Sep/2026
A nova rodada de ataques atribuída aos Houthis contra cidades da Arábia Saudita elevou a temperatura de um conflito que já transborda fronteiras e, agora, passa a se conectar a um tabuleiro regional mais amplo, marcado por tentativas de mediação e choques diplomáticos paralelos. A coalizão liderada pela Arábia Saudita que atua no Iêmen afirmou que os Houthis atacaram Khamis Mushait, Abha e Jazan com mísseis balísticos e drones. Segundo o jornal saudita Al Arabiya, a ofensiva deixou 73 feridos no país e destruiu edificações, inclusive ligadas ao petróleo. A emissora Al Masirah, controlada pelos Houthis e citando o Ministério da Saúde do grupo, informou que pelo menos 21 pessoas morreram em ataques sauditas à província de Al Jawf, no Iêmen, nos últimos dois dias. A Arábia Saudita não anunciou nem confirmou a realização de ataques na região, o que mantém em aberto a disputa de narrativas sobre a intensidade e a autoria de operações no terreno.
A escalada ocorre enquanto o Catar tenta reposicionar a diplomacia como eixo de contenção no Oriente Médio e manter uma via aberta de negociação entre Irã e Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a visita do ministro das Relações Exteriores do Catar na quarta-feira (09/09) mirou o fortalecimento das relações bilaterais e a paz e segurança regionais, elogiando os esforços catarianos para evitar a escalada após o que chamou de “agressão militar” dos Estados Unidos contra o Irã. Em meio ao recrudescimento, o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita afirmou que o país não hesitaria em se defender contra quaisquer ataques, enfatizando que usaria todos os meios disponíveis para proteger seus interesses, ao mesmo tempo em que manteria a porta aberta para soluções diplomáticas no trato com os Houthis.
O governo do Iêmen reconhecido internacionalmente diz que ofereceu uma oportunidade para negociações responsáveis, mas a milícia prioriza interesses próprios em detrimento do país e de sua população. Na mesma linha, o Ministério da Defesa do Iêmen afirmou que as forças armadas continuariam a cumprir seus deveres nacionais para restaurar as instituições do Estado e pôr fim ao golpe dos Houthis. O conflito ganha uma camada extra de risco com o envolvimento potencial do Paquistão. O Ministro da Defesa do Paquistão disse esperar que a atual situação entre Arábia Saudita e Iêmen caminhe para uma resolução duradoura e afirmou que o pacto de defesa trilateral entre Paquistão, Arábia Saudita e Turquia pode ser ativado após ataques dos Houthis contra territórios sauditas, ainda que seja possível resolver a crise sem acionar o acordo.
O Paquistão também alertou Israel a não explorar a guerra: “Israel é o único beneficiado pela continuidade da guerra e sempre explorará a crise”. Em paralelo, fontes paquistanesas indicaram que é provável que o Paquistão realize ataques aéreos contra as forças Houthis no Iêmen, a pedido da Arábia Saudita. De acordo com o relato, uma prioridade militar seria expulsar os Houthis de Saada e de outras regiões. Porém, ainda não foi tomada uma decisão definitiva, evidenciando a incerteza sobre o alcance da resposta. Se o pacto Arábia Saudita-Paquistão-Turquia for efetivamente ativado, o risco de escalada aumenta. O acordo trilateral determina que o ataque contra um país é considerado como ataque contra todos os três. Isso gera o risco de ampliar a instabilidade regional, ao invés de detê-la. Os três países ainda não demonstraram que possuem os mecanismos necessários para gerenciar uma escalada em um compromisso coletivo de defesa.
Se não puderem conciliar ambições políticas e capacidades militares, o primeiro teste sério do pacto pode levar a uma guerra ampla contra todos os adversários regionais. Assim, crescem as chances de retaliações em cadeia, respostas desproporcionais e sobreposição de agendas nacionais, inclusive considerando que Turquia e Israel recentemente se desentenderam publicamente por causa da Síria. Em 18 de agosto, a Turquia condenou veementemente ataques aéreos israelenses contra a base aérea militar de Abu Duhur, em Idlib, afirmando que Israel continua ofensivas de forma imprudente, visando a infraestrutura e as capacidades sírias e violando a integridade territorial e a unidade do país. A Turquia também pediu que os Estados Unidos limitassem as ações israelenses no Oriente Médio e comentou que o Egito poderia ser adicionado ao pacto de defesa regional.
Israel confirmou a autoria dos ataques e alegou que a Turquia planejava deslocar forças militares para o local, o que, segundo o governo israelense, representaria ameaça à sua segurança. O embaixador dos Estados Unidos na Turquia e enviado especial para a Síria, Tom Barrack, limitou-se a classificar a escalada como "desnecessária". Ainda, Arábia Saudita e chanceleres de Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Paquistão, Turquia, Catar e Egito condenaram o deslocamento de palestinos da Faixa de Gaza, incluindo propostas para remover palestinos à força que violam princípios do direito internacional e o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar o conflito em Gaza. Países europeus e o Canadá também condenaram os assentamentos ilegais de Israel na Cisjordânia e o Reino Unido proibiu o comércio de bens produzidos nessas regiões devido a "limpeza étnica" de palestinos praticadas por colonos israelenses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.