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11/Sep/2026

El Niño eleva risco de perdas na safra 2026/2027

Segundo a MB Agro, eventuais perdas na safra brasileira de soja provocadas pelo fenômeno El Niño podem alcançar até 12 milhões de toneladas em um cenário de estresse climático semelhante ao observado em 2015. A estimativa considera os ganhos de produtividade acumulados desde aquele período, combinados com a menor utilização de tecnologia e fertilizantes na temporada atual. O impacto do El Niño tende a apresentar diferenças regionais relevantes no Brasil. A Região Sul e áreas de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul apresentam menor risco de frustração de safra, embora o excesso de chuvas possa prejudicar os trabalhos de campo. Em contrapartida, as regiões Centro, Norte e Nordeste concentram maior risco climático de perdas, agravado pela participação relativa dessas áreas na produção nacional, atualmente muito superior à observada há dez anos.

A possibilidade de perdas associadas ao El Niño já começa a ser incorporada às expectativas do mercado internacional de commodities agrícolas. O risco climático sobre a soja brasileira se soma às perdas na produção de milho na Europa e às incertezas sobre a produtividade da safra norte-americana. Nesse ambiente, fundos de investimento voltaram a ampliar posições compradas em níveis recordes em soja, milho, trigo e algodão. Na China, compradores vêm antecipando a demanda por soja para janeiro, movimento que também tem elevado os prêmios de exportação do produto brasileiro. O comportamento dos compradores chineses indica maior percepção de risco sobre a disponibilidade futura da oleaginosa, com aumento das posições desde maio. O ambiente climático também exige estratégias distintas de comercialização conforme a localização das propriedades e o nível de exposição ao risco produtivo. Produtores situados em regiões de maior risco climático devem adotar maior cautela nas vendas antecipadas, evitando comprometer volumes que possam não ser efetivamente colhidos.

A venda de produção que posteriormente não se concretize representa um dos principais riscos financeiros em um cenário de frustração de safra. Nas regiões em que as perspectivas climáticas são mais favoráveis e os produtores apresentam maior nível tecnológico, existe maior espaço para a formação de posições de venda. A melhora recente dos preços pode ser aproveitada para proteger parte da produção, especialmente onde o risco de quebra de produtividade é menor e a capacidade tecnológica oferece maior segurança sobre o volume a ser colhido. A combinação entre risco climático, menor utilização de tecnologia e fertilizantes em parte da produção e maior participação de regiões atualmente mais expostas ao El Niño aumenta a sensibilidade da safra brasileira de soja às condições meteorológicas. Em paralelo, a reação antecipada dos compradores chineses e o reposicionamento dos fundos indicam que o mercado internacional já incorpora parte desse risco nos preços e nos prêmios. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.