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11/Sep/2026

Crédito Rural: recuo na área financiada no Brasil

Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a área agrícola financiada com crédito rural no Brasil recuou 25,8% em 12 meses, de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões de hectares em julho de 2026. No Rio Grande do Sul, a retração foi de 29,3%, acompanhada por queda de 18,3% no valor liberado, para R$ 23,1 bilhões, e redução de 16,4% no número de contratos, para 189.655. A contração do financiamento alcançou as principais culturas. A área de trigo financiada no Rio Grande do Sul caiu 52%, ante retração de 44,1% no Brasil. No caso da soja, a área financiada diminuiu 35,2% no Estado e 25,8% na média nacional. Para o arroz, o recuo da área financiada no País chegou a 34,7%.

A redução do crédito ocorre em um cenário de deterioração da carteira de financiamento rural. No Brasil, a parcela das operações em atraso, em inadimplência, prorrogadas ou renegociadas aumentou de 11,8% em julho de 2024 para 23,5% em julho de 2026. No Rio Grande do Sul, o indicador avançou de 28,6% para 41,3% no mesmo período, refletindo os efeitos das enchentes de abril e maio de 2024 sobre a capacidade de pagamento dos produtores. Além da piora da qualidade da carteira, a taxa Selic de 14% ao ano e o aumento das exigências bancárias decorrente da Resolução CMN 4.966 são fatores que restringem a oferta de crédito. O ambiente de juros elevados aumenta o custo financeiro das operações e reduz a capacidade de tomada de recursos, enquanto critérios mais rigorosos de concessão ampliam as limitações para produtores com maior exposição financeira.

Os instrumentos de financiamento privado continuam em expansão, mas não compensam integralmente a menor disponibilidade de crédito bancário. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPR) alcançou R$ 576,4 bilhões em junho de 2026, alta de 12% em 12 meses. Na safra 2025/26, entretanto, o volume de CPR emitido somou R$ 377,8 bilhões, 8% abaixo do pico registrado no ciclo anterior. A expansão de mecanismos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Fiagros também apresenta maior concentração entre produtores de maior porte. Com isso, pequenos produtores permanecem mais dependentes do sistema bancário e mais expostos à restrição das linhas tradicionais de financiamento. A menor oferta de crédito aumenta o risco de redução da área plantada e da produtividade na safra 2026/27.

A consequência potencial envolve não apenas o desempenho da produção agrícola, mas também o PIB da agropecuária, o superávit comercial e a inflação de alimentos. A restrição financeira pode limitar a aquisição de insumos, o uso de tecnologia e a capacidade de manutenção dos níveis de investimento necessários à próxima safra. No segundo trimestre de 2026, o PIB da agropecuária cresceu 2,8% ante o primeiro trimestre, reforçando a relevância do setor para o desempenho da economia brasileira. A menor disponibilidade de financiamento, caso persista, pode reduzir essa contribuição nos próximos trimestres e ampliar os efeitos sobre a atividade econômica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.