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14/Sep/2026

Oriente Médio: Houthis elevam pressão sobre EUA

Os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, chegaram na sexta-feira (11/09) à estratégica ilha de Perim, no Estreito de Bab al-Mandeb, em avanço que pode ampliar seu controle sobre uma das principais rotas marítimas do mundo. Forças do governo do Iêmen reconhecido internacionalmente teriam se retirado da ilha, enquanto os Houthis também tomaram Dhubab, no Mar Vermelho. O controle total do Estreito daria ao Irã vantagem adicional na guerra contra os Estados Unidos e poderia pressionar o petróleo, num momento em que a Arábia Saudita depende da rota pelo Mar Vermelho após o fechamento do Estreito de Ormuz. As Forças Armadas do Iêmen afirmaram na sexta-feira (11/09) que "libertaram" 5.400 quilômetros em Taiz e Al-Hodeidah, na costa oeste do Iêmen, e derrubaram nove caças da Arábia Saudita. Em comunicado, o exército iemenita afirmou que realizou uma operação de caráter "pontual e abrangente" com o objetivo expulsar as forças da Arábia Saudita de algumas cidades da costa oeste.

As Forças Armadas do Iêmen afirmaram que as ações sauditas na região constituíram os "piores crimes" contra os cidadãos e que tinham como objetivo colocar o território iemenita sob ocupação e controle saudita. "Foi possível resgatar vários de nossos queridos prisioneiros que estavam nas mãos dos mercenários do inimigo saudita há anos na costa oeste", acrescentou a nota. Segundo a agência de notícias Tasnim, o exército iemenita também assumiu controle do prédio do Conselho Local de Dhubab, perto do Estreito de Bab-el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do mundo. Mais de 100 conselheiros militares dos Estados Unidos estão na Arábia Saudita fornecendo inteligência e apoio estratégico na definição de alvos contra os Houthis no Iêmen. Essa cooperação ocorre em meio ao avanço dos combates na região, que ameaça se transformar em uma guerra aberta e comprometer um segundo corredor marítimo crucial no Oriente Médio.

Os militares norte-americanos estão atuando como parte de um comando conjunto de forças recém-criado, formado nas últimas semanas em meio a indícios de que o Irã estava intensificando seus esforços para apoiar os ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita. A presença de tropas norte-americanas auxiliando a Arábia Saudita foi descrita por cinco fontes familiarizadas com as operações. Os Estados Unidos estão fornecendo suporte de inteligência geoespacial à Arábia Saudita, auxiliando o país no uso de uma ferramenta de monitoramento em tempo real no campo de batalha para realizar ataques contra os houthis. Fontes militares informaram à CNN que a tecnologia permite visualizar o cenário de combate de forma imediata, sendo comparável ao sistema Project Maven utilizado pelo próprio Pentágono. A reportagem pondera que, segundo as fontes, o apoio dos EUA está atualmente sujeito a limites rigorosos.

De acordo com a CNN, os Estados Unidos estão compartilhando informações de inteligência com a Arábia Saudita, mas não estão participando diretamente de ataques. Os EUA suspenderam o reabastecimento de aviões sauditas e o apoio operacional em comparação com conflitos anteriores contra os Houthis. O esforço está focado em garantir que as operações da Arábia Saudita funcionem de forma tranquila e profissional. A ação é uma extensão da cooperação e do treinamento que os Estados Unidos já ofereciam historicamente à Arábia Saudita, reforçando a parceria com o aliado regional. Os combates no Iêmen atingiram o ponto mais crítico desde 2022, rompendo uma frágil trégua entre os rebeldes Houthis e o governo apoiado pela Arábia Saudita na ocasião. O grupo paramilitar intensificou sua ofensiva com um ataque na quinta-feira (10/09), que matou dezenas de civis na Arábia Saudita e com a captura de um porto estratégico no Mar Vermelho, o que ameaça a navegação no Estreito de Bab al-Mandeb.

No entanto, pairando sobre o esforço norte-americano estão as lembranças de anos de apoio controverso às forças norte-americanas em ataques direcionados à Arábia Saudita durante a gestão Obama e o primeiro mandato de Donald Trump, que, de acordo com críticos, contribuíram para um elevado número de vítimas civis. No segundo mandato de Trump, os Estados Unidos encerraram abruptamente uma campanha militar de meses contra os houthis no Iêmen após um acordo de cessar-fogo. Atualmente, o governo norte-americano mantém o monitoramento sobre os Houthis devido ao prolongamento da guerra com o Irã, que gera riscos de expansão do conflito por procuração na região. A Arábia Saudita, antes relutante em se envolver na tensão entre Estados Unidos e Irã, mudou de postura devido à crescente agressividade dos ataques Houthis, o que aumentou o temor de uma nova frente de combate. Autoridades norte-americanas acreditam que centenas de oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã estão no Iêmen atuando junto aos Houthis. O objetivo principal da operação é fechar o Estreito de Bab al-Mandeb, uma via navegável estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico.

Essa ação faz parte de uma estratégia econômica planejada pelo Irã caso as negociações com os Estados Unidos fracassassem. Recentemente, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sugeriu que a inteligência dos Estados Unidos vincula a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) aos ataques Houthis contra a infraestrutura energética da Arábia Saudita, apontando a participação direta do Irã na ação. Desta forma, as forças norte-americanas já estão sobrecarregadas após mais de seis meses de combates no Irã, durante os quais as tropas norte-americanas na região sofreram repetidos ataques com mísseis e drones, longos períodos de deslocamento e preocupações com munições. Os militares dos Estados Unidos também estão concentrando a maior parte de sua atenção em operações ao redor do Estreito de Ormuz, realizando ataques contra alvos iranianos, escoltando navios comerciais pela hidrovia e mantendo um bloqueio naval aos portos iranianos. As forças armadas dos Estados Unidos mantêm profunda cautela em se associar à campanha de ataques sauditas contra os Houthis, devido ao risco de falhas operacionais e consequentes vítimas civis, repetindo erros do passado. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.