14/Sep/2026
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com queda de 0,32%, ante um avanço de 0,07% em julho. A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 3,11%. O resultado acumulado em 12 meses foi de 4,22% até agosto, ante taxa de 4,44% até julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve queda de 0,32% em agosto, após um recuo de 0,01% em julho. Com o resultado, o índice acumulou alta de 3,17% no ano. A taxa em 12 meses mostrou alta de 3,98%, ante taxa de 4,10% até julho. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários-mínimos e chefiadas por assalariados. O IPCA de agosto registrou queda de 0,32% e veio abaixo das estimativas de analistas. Da mesma forma, o resultado acumulado em 12 meses do índice, de alta de 4,22% até agosto, veio abaixo das projeções. Os preços de Alimentação e bebidas caíram 0,34% em agosto, após queda de 0,67% em julho.
O grupo deu uma contribuição negativa de 0,07% para o IPCA, que caiu 0,32% no mês. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve queda de 0,61% em agosto, após ter recuado 1,14% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,36%, ante alta de 0,55% em julho. Os preços de Transportes caíram 0,86% em agosto, após alta de 0,05% em julho. O grupo deu uma contribuição negativa de 0,17 ponto porcentual para o IPCA, que caiu 0,32% no mês. Os preços de combustíveis tiveram queda de 0,91% em agosto, após recuo de 1,44% no mês anterior. A gasolina caiu 0,59%, após ter registrado queda de 1,37% em julho, enquanto o etanol recuou 3,95% nesta leitura, após queda de 2,26% na última. A inflação medida pelo IPCA mostrou que quatro dos nove grupos pesquisados tiveram deflação em agosto de 2026. Habitação recuou 1,87%, o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, seguida por Transportes (-0,86%), Alimentação e bebidas (-0,34%) e Comunicação (-0,09%).
A principal contribuição para a queda de Habitação veio da energia elétrica, que recuou 7,63% no mês, devido ao Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas em agosto. Em Transportes, o resultado negativo refletiu, principalmente, a forte redução nas passagens aéreas (-13,7%) e a queda dos combustíveis (-0,91%), com recuos no etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). Alimentação e bebidas variou -0,34%, após o recuo de 0,67% em julho, por influência da alimentação no domicílio (-0,61%). As principais quedas foram na batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). No lado das altas, destacam-se o leite longa vida (1,78%), frutas (0,84%) e carnes (0,61%). Os cinco grupos que apresentaram alta foram Despesas Pessoais (1,30%), Artigos de Residência (0,64%), Educação (0,47%), Saúde e cuidados pessoais (0,23%) e Vestuário (0,12%).
Despesas pessoais registrou também o maior impacto positivo no índice do mês (0,13%), puxado pela alta do cigarro, que disparou 19,59% e respondeu pelo maior impacto individual positivo no IPCA de agosto (0,11%). Com uma alta de quase 20% em agosto (19,59%) pelo IPCA, o cigarro registrou o maior aumento mensal desde o início do Plano Real. O item também exerceu o maior impacto de alta para o IPCA geral do mês, de 0,11%. O aumento do preço reflete o reajuste definido pelo governo federal, que passou a valer em 1º de agosto. A alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) subiu de 2,25% para 3,5%. Com isso, o preço mínimo da carteira passou de R$ 6,50 para R$ 7,50. A medida foi anunciada para compensar o efeito dos decretos que zeraram a cobrança de PIS e Cofins incidentes sobre QAV (querosene de aviação) e biodiesel para conter a alta dos combustíveis em função da guerra no Oriente Médio. O cigarro pesa 0,58% no cálculo do IPCA. O produto pertence ao grupo de despesas pessoais, cujos preços subiram 1,30% em agosto de 2026, a maior elevação para o mês desde 1995 (1,88%).
A deflação de agosto de 2026, de 0,32%, foi a mais intensa desde agosto de 2022 (-0,36%). A taxa é a menor para desde agosto de 2022, tanto para o mês de agosto, quanto historicamente. Em agosto, é comum haver queda de preços influenciada por alimentação, que frequentemente registra variações negativas neste período do ano. Desta vez, no entanto, o resultado foi determinado sobretudo pela energia elétrica, devido ao Bônus de Itaipu. O Bônus de Itaipu é uma espécie de crédito que considera a conta de comercialização de energia da usina hidrelétrica. Os descontos foram aplicados nas faturas emitidas entre 1º e 31 de agosto. A energia elétrica, sozinha, respondeu por um impacto de -0,33% no IPCA. O peso chegou a ser maior do que a própria variação do índice cheio, enquanto os demais itens, em geral, compensaram com altas. Sem a energia elétrica, o IPCA teria ficado praticamente estável, com avanço de 0,01% na comparação mensal. Ao desconsiderar também Alimentação, grupo que teve queda de 0,34%, o índice passaria a uma alta de 0,11% Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.