14/Sep/2026
A ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira defende a conciliação entre a agenda ambiental e a agricultura como estratégia para ampliar a competitividade e a segurança do Brasil em um cenário internacional marcado por maior tensão e volatilidade. A avaliação é de que a convergência entre as duas agendas é necessária para fortalecer a posição do País e evitar que a formulação de políticas públicas seja conduzida pela polarização. A inserção do Brasil no cenário internacional está diretamente relacionada à agricultura tropical, considerada estratégica tanto para a segurança alimentar quanto para a segurança climática. Nesse contexto, o setor agropecuário é apontado como ponto de partida para uma estratégia de desenvolvimento e reposicionamento do País, em razão de sua relevância econômica e de sua capacidade de geração de produção, exportações e tecnologias adaptadas às condições tropicais.
A estratégia também deve considerar os avanços acumulados pelo setor agrícola nos últimos 60 anos, tratando a agricultura como aliada da agenda ambiental e concentrando esforços na correção de problemas existentes. A transição para uma economia de baixo carbono depende da redução das emissões na própria atividade agropecuária, o que exige a integração entre produção, sustentabilidade e inovação tecnológica. Essa agenda envolve uma cadeia ampla, que inclui fertilizantes, insumos, minerais e a ciência associada ao desenvolvimento da agricultura tropical. A avaliação é de que o Brasil precisa adotar maior planejamento estratégico e reduzir uma postura excessivamente reativa na formulação de políticas, com foco na defesa dos interesses nacionais em um ambiente global mais competitivo e sujeito a mudanças.
Outro ponto destacado é a necessidade de evitar a associação generalizada entre produtor rural e desmatamento ilegal. A distinção entre a atividade agropecuária regular e a atuação criminosa é considerada fundamental para a construção de uma política ambiental que preserve a produção e, ao mesmo tempo, combata efetivamente os ilícitos ambientais. Como medida concreta para aproximar desenvolvimento econômico e agenda ambiental, a ex-ministra defende uma reformulação profunda das regras e dos procedimentos de licenciamento ambiental. A multiplicidade de exigências atualmente envolvidas no processo, incluindo Cadastro Ambiental Rural, outorga de água e autorizações específicas, é apontada como fator que demanda maior racionalidade regulatória e revisão dos procedimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.